Outro sentido de músicas folclóricas – parte 2

Parecia só brincadeira, mas cada musiquinha infantil tem coisas mais profundas.

Para você que nem se lembrou [já que não é feriado…], dia 22 de agosto foi aniversário da minha mãe [Parabéns, Celi], e também foi dia do folclore.

Sim, sacis, curupiras e boitatás. Passa-anel, pique-esconde e se essa rua fosse minha. Feijão tropeiro e doces variados.

saci_curupira_mula_decapitada_e_bovinotataPara celebrar atrasadamente essa data embora você já tenha tirado I nesse trabalho, vamos ver algumas musiquinhas simples que a maioria deve conhecer. E não só as músicas, mas também uma análise socio-psicológica e uma interpretação livre feita por uma pessoa que precisa de um psicólogo. Afinal, aqui é Utilis!

A primeira é uma história comovente em duas estrofes:

O cravo brigou com a rosacravo_e_a_rosa
Debaixo de uma sacada
O cravo saiu ferido
E a rosa, despedaçada

O cravo ficou doente
A rosa foi visitar
O cravo teve um desmaio
E a rosa pôs-se a chorar.

Como dá pra ver, é uma história bem triste, principalmente para crianças. Além do mais, incita a violência.
O cravo, símbolo masculino nessa história [e que, em função do machismo de antigamente, sempre é citado antes que a rosa], praticou algum ato de violência perante a rosa [símbolo das mulheres], que não aceitou a opressão e revidou. Como resultado [e talvez tentativa de dar um exemplo], ambos acabaram com problemas físicos. A moral é que quem briga sempre se fere.

Mas não acaba por aí! Tem a segunda estrofe, onde o machismo reaparece – na figura da rosa submissa ao cravo, que o visita mesmo após ficar despedaçada. A rosa é mostrada como sensível e emotiva, pois começa a choras quando o cravo desmaia.

Portanto, por fim, concluindo, essa cantiga apresenta o machismo à pobres crianças.

E, outra cantiga bastante conhecida e cruel é essa:

A canoa viroucanoa_virada
Por deixar ela virar
Foi por causa do [insira o nome do editor que você quiser aqui]
Que não soube remar

Se eu fosse um peixinho
E soubesse nadarEu não tirava o [insira o mesmo nome que você inseriu acima]
Lá do fundo do mar

Começa assim: primeiro, escolha uma vítima que vai se afogar. Essa pessoa vai achar legal ser escolhida, mas isso é uma ideia errônea implantada pela sociedade. Ela vai ser humilhada, por ter tido problemas ao remar. Ou seja, mostra que a pessoa não possuía aquela habilidade, talvez por nunca ser praticado, mas acabou se ferrando por isso e ainda sendo criticada.

Para dar um ar mais lúdico e esperançoso à cantiga, a pessoa tenta se desculpar, no estilo: “ah, se eu fosse um peixe eu tirava essa pessoa de lá”. É um exemplo contrário de tsundere: finge que se importa, porém não faz nada e nem liga, na verdade. Como não é um peixe e nem sabe nadar, deixa o infeliz lá no mar mesmo.

O mais estranho é que a pessoa resolveu navegar no mar em uma canoa e sem saber remar.

Encerrando a análise, essa cantiga, além de humilhar a pessoa que se ferrou por não saber de alguma coisa, ensina a teoria do “se”. Se eu tivesse dinheiro… Se eu saísse mais cedo… Se eu fosse o Batman… Mas não tenho/ não saí/ não sou o Batman, então ignorarei o fato. É um mal exemplo para as pobres crianças que a cantam e escutam.

Parece que músicas infantis populares estão lotadas de maus exemplos.
Parece que músicas infantis populares estão lotadas de maus exemplos.

Iria colocar mais duas, porém o diretor disse que acabou o tempo.

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P.S.1: Eu sei, tá bem atrasado. Mas tá aí.

P.S.2: Postagem minha, agora, vai demorar um pouco. Vou tirar folga e aproveitar que o Darmstadtio agendou uma postagem pra cada dia durante essa semana.

Autor: ClaMAN

Animes? Assisto, mas a maioria ou é de romance ou é de fantasia ou é de vida cotidiana. Jogos? Jogo, mas meu jogo preferido é um simulador de ônibus, e os outros não são populares. Livros? Li alguns e escrevo histórias (que parecem fanfics) de vez em quando. No resto do tempo, sou um estudante "normal" de Análise e Desenvolvimento de Sistemas (vulgo "Programação"). Prazer.

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