(12E) Como começar uma conversa sobre amor – Capítulo 1

O começo de um amor, de um projeto e de uma história: primeiro capítulo de “Como começar uma conversa sobre amor”!

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Como começar uma conversa sobre amor

(Só para constar: o logotipo passou por uma pequena mudança)Primeira estação:
Mudar por um amor arriscado, sentir-se menos rejeitado?


est1invCapítulo I : Junho – Dando os primeiros passos

banned_download_proviTemos que começar por algum lugar. Você se lembra da primeira vez que pensou em namoro, ou mesmo em amor “romântico”? Lembra do seu primeiro beijo? Provavelmente sentiu nervosismo quando foi fazer uma declaração de amor pela primeira vez. Mas é natural – são os primeiros passos antes de começar um romance, e quando é o primeiro (embora nem precise ser o primeiro) há mais nervosismo ainda.

Mas temos que começar por algum lugar, afinal. Anna pensava nisso ao ir para a escola e, mesmo estando em junho, era a segunda vez que ela fazia aquele caminho. Motivo: acabara de se mudar, após três anos e meio em outra cidade. Era momento para recomeçar as amizades e, por que não?, as paixões.

Viu um casal de alunos se beijando longamente. “Como seria a sensação de um beijo”, perguntou-se ela. Não tivera essa experiência ainda. Depois, viu outros pares apaixonados de mãos dadas, andando tranquilamente. “Será que algum garoto vai gostar de mim? Para andarmos juntos, sairmos por aí…” A única declaração de amor que fizera na vida resultou em zombarias.

Será que as coisas vão mudar a partir de agora?” era a maior dúvida e a esperança que Anna mantinha. Queria deixar de ser a rejeitada da turma, complexada com seu peso e sua altura (não era magérrima ou extremamente alta como as meninas da antiga classe, e isso fora motivo suficiente para que a humilhassem). Nos filmes, as garotas são unidas, amigas umas das outras (também, só em filmes…).

Após cruzar grupinhos barulhentos e chegar ao portão, ouviu um dos garotos gritar lá atrás:

Ei, menina do cabelo cacheado!

Sendo ela a única garota num raio de quinze metros que não usava escova progressiva ou prancha alisadora (vulgo “chapinha”), ele estava fazendo uma referência explícita a ela. Porém, sua experiência com seres do sexo oposto não ajudava: na mente de Anna, meninos eram idiotas e só pensavam em zoeira. Afinal, também foi muito humilhada por garotos na antiga turma.

Não sei se dou atenção… Do jeito que eles são, deve ser mais uma brincadeira de mau gosto.” Porém, pensando na ideia de que ali era outro lugar, onde não a conheciam… “Mas não vai custar muito se eu só olhar, não é?”

Um garoto de cabelo espetado, olhos azuis e braceletes vinha na direção dela, com ar despreocupado e mascando chiclete. Estendeu uma folha de papel.

Você deixou cair isso do seu fichário.

Ah, obrigada… (De fato, Anna percebeu mais tarde que seu fichário estava aberto.)

Após um leve aceno de cabeça, ele deu meia volta, indo em direção a um bando de garotos que Anna julgava como “baderneiros irresponsáveis”. Contudo, após aquele ato de gentileza…

Acho que é hora de mudar a minha maneira de pensar. As coisas por aqui são diferentes.”

12e_ql_larg_reallyverysmlEra questão de tempo até conhecer todos da classe. É sempre assim quando se chega em um local com pessoas desconhecidas, a não ser que você seja uma pessoa muito (quando eu digo muito, digo MUITO) extrovertida e espontânea. Como não era o caso de Anna, a socialização começa por algum grupo específico.

E com algum assunto específico (ou você acha que uma jovem de quatorze anos vai falar o próprio nome e perguntar o da coleguinha, assim como crianças de primário?) como:

Poderia me emprestar o caderno depois das aulas? Gostaria de copiar os exercícios que ele passou…

Anna pediu isso para a garota ruiva (não se enganem: era tintura de cabelo) e de batom vermelho muito escuro que sentava ao seu lado (porém, como foi Anna que chegou depois, não seria Anna que sentava ao lado dela? Reflitam sobre isso).

Ah, empresto sim. Mas nem precisa se preocupar muito, ele não dá visto no caderno.

Não é isso que me preocupa… Quero copiar os exercícios para estudar.”

Nossa, você não estudou isso na escola de onde você veio? — Uma outra garota (cabelo negro curto e com franja, e olhos com lentes que os deixavam artificialmente azuis) questionou isso, surpresa.

É que… O professor não explicava tão bem.

Como aprender essas matérias se o único método de ensino do professor eram trabalhos em grupo, e eu não tinha um grupo?”

Aliás, de onde você veio, hein… Qual é o seu nome mesmo? — perguntou curiosa outra garota atrás dela, que por sinal tinha um cabelo artificialmente liso, decorado com luzes, e unhas muito (quando eu digo muito, digo MUITO)² grandes e coloridas.

Anna. Eu morava em…

E a pobre garota ficou alguns minutos respondendo a perguntas sobre a cidade onde morara (e, consequentemente, como eram os garotos de lá para essas questões, dava respostas inventadas). Só não respondeu mais porque uma professora que disseram que era rígida entrou na sala.

Ao final do dia, além de ter dois cadernos (“Leva o da Paula também porque o dessa aí é bem capaz de ter coisa faltando”), tinha feito algumas amizades. Ou apenas conhecido algumas das garotas da classe, o que já era melhor do que nada. Pelo menos dava para fazer trabalhos.

12e_ql_larg_reallyverysmlPassados os primeiros contatos e os primeiros dias, Anna percebeu que as três não tinham muito em comum com ela:

Eram experientes em lidar com garotos…

Era com aquele ali que você estava ficando na semana passada, não é, Chris? — na saída, observavam um rapaz do terceiro colegial, alto e muito (quando eu digo muito, digo MUITO)³ musculoso.

Era, mas ele nem era tãaaaaao bom assim…

As meninas ficaram nos risinhos, Anna forçou o riso também, mas pensou:

Quando ela diz ‘bom’, quer dizer em que sentido?”

Gostavam muito de música pop internacional…

Consegui baixar aquele single novo, ouçam aqui!

Um monte de batidas e uns sons digitais estranhos, uma voz digitalizada (leia-se: autotune)… Essas músicas pop são todas iguais.”

Tinham uma maneira festeira de encarar as coisas…

Amanhã tem balada, tem uns gatinhos, tem muita dança! Vamos lá, Anna!

Prefiro ficar em casa. Não sei como agir nem em festinha de aniversário infantil, imagine nessas festas cheias de bebida e de garotos mal-intencionados…”

Vou ver se posso ir.

Aquele DJ famosão estará lá, não é?

E essas músicas que são só um monte de batidas que ficam se repetindo?”

Sim, Anna não tinha os mesmos interesses que as três garotas (que, aliás, se chamam (na ordem de apresentação lá em cima) Paula, Christine e Joyce). Porém, além de as três serem de um suposto “grupo especial” na classe, as outras garotas da turma tinham outros gostos bem mais distintos do estilo de Anna (como um grupo de quatro garotas com franjas longas e calças coloridas que gostavam de happy rock, ou meninas que usavam roupas curtas, piercings e 70% das palavras que falavam era de baixo calão). Ela concluiu que não tinha muito o que fazer, e acomodou-se daquele lado da sala.

12e_ql_larg_reallyverysmlUma semana se passou. As três ainda achavam que Anna gostava de baladas, artistas pop internacionais e dava umas saidinhas com alguns garotos de vez em quando. Anna não queria desmentir (pois tinha medo de perder essa amizade que formara com elas), mas queria atender às expectativas delas. Tentou começar a ouvir os singles mais populares (mas tinha vergonha de que a vissem escutando àquilo) e até pensou na possibilidade de ir em alguma festa de adolescentes (sem saber (ou sem ligar) que aniversário de primo de 12 anos não contava como “balada”).

Sem esquecer do típico clichê de filme romântico: o primeiro amor. Anna queria se apaixonar de verdade por algum garoto, queria dar o primeiro beijo (sentia-se atrasada por já ter quatorze anos e ainda ser BV) e queria namorar. Principalmente após uma conversa…

Sabem quem eu vi no shopping no sábado? A Gi, de mãos dadas com um garoto super demais!

Paula disse isso com um tom de raiva, e Christine interpelou:

Por isso que ela estava com aquele ar exibido hoje, só porque passou o dia dos namorados acompanhada…

Também, se ela não fosse tão ***** (leia-se como “feliz com o corpo que tem e, portanto, autoconfiante”), nenhum cara ficaria com ela. Por isso que ela se acha a tal.

Paula mordeu o canto do lábio roxo-escuro (ou seja, preto) após dizer isso. Joyce comentou, com desaprovação:

Amor é para sentir e não para exibir. Ficar andando desse jeito com um ficante…

Falou a menininha que não consegue esconder que está a fim do Leandro…

Joyce se calou, olhando para cima. Chris berrou, animada:

Aquele Leandro? O do primeiro B, de cabelo espetado e com aqueles olhos azuis lindos?

Sim, que usa uns braceletes… Alto, fica conversando com aqueles garotos no portão antes de entrar na classe. — Paula respondeu, também animada.

Essa descrição me é familiar…”

Calem a boca, vocês duas! — Joyce interrompeu, levemente corada (não dava para ver a verdadeira cor do rosto dela sob a maquiagem, na verdade). — Vão dizer que também não acham ele bonito?

Anna, que escutava sem se manifestar, lembrava do garoto (que, além de gentil, era bonito!) e pensava:

Qual é o problema de admitir que gosta dele?”

O resto do dia foi de pura provocação com o interesse romântico da Joyce, e desembocou em debates sobre “como seria meu namorado”. Era sempre o mesmo ideal: Forte, alto, bonito, mas também sensível e carinhoso. Anna, por outro lado, mentalizava um garoto que fosse apenas gentil e simpático, e não a maltratasse.

12e_ql_larg_reallyverysmlNão era um ideal tão inalcançável. Anna só não sabia por onde começar. Pensava em Leandro como exemplo, mas como falar com ele? Um garoto do primeiro colegial, ou seja, turma mais velha (e, na visão dela, com alunos mais maduros, um nível acima dos meros oitavanistas). E, se ela conseguisse falar com ele, sobre o que falaria? Podia admirá-lo, mas não tinha certeza se queria namorá-lo.

Poderia gostar dele? Poderia falar com ele? O que Leandro veria numa garota pequena e introvertida, que nunca beijara na vida? Porém, ao ouvir as metas românticas das amigas, estava decidida: naquele ano, arranjaria um namorado. Entenderia o que as amigas falavam de amor e de paixão, de ficar e de namorar, teria mais assunto em comum com elas. Seria igual a elas (exceto sem a tinta no cabelo, a maquiagem excessiva e o gosto por músicas com batidas.)

Começaria, aí, a nova vida de Anna Maurie Adenasie Hendili (sim, esse é o nome completo dela).

O problema era começar. E, afinal, temos que começar por algum lugar.

Por exemplo, começar conversando com outras pessoas que não fossem suas três amigas. De preferência, alguém do sexo oposto (e pai e irmão mais novo não contam).

E, na quarta semana de junho…

Vamos fazer uma atividade em dupla hoje. Porém, duplas diferentes. — a professora de artes ordenou:

Ao invés de se juntar com quem quisesse, era para unir a carteira com a pessoa que sentasse ao lado. Anna sentava-se na terceira fileira a contar da esquerda, e por isso Paula (dupla habitual) ficou com a pessoa da fileira do canto (uma menina de preto que Anna nem sabia o nome). Anna uniu-se com a carteira da quarta fileira, ocupada por um garoto de cabelo castanho e bagunçado.

Pronto, estava aí a chance de se socializar um pouco mais com garotos!

(Continua…)


by ClaMAN

P.S.: Quer mais? Espere pelo dia 12 de julho. Tentarei não decepcionar.

P.S.2: Ou entre no blog no dia 22: o primeiro capítulo da segunda história, Me(us rece)ios, sai por volta de meio dia.

P.S.3: Se você não entendeu o que é esse “Doze Estações”, veja a postagem de apresentação.

Autor: ClaMAN

Animes? Assisto, mas a maioria ou é de romance ou é de fantasia ou é de vida cotidiana. Jogos? Jogo, mas meu jogo preferido é um simulador de ônibus, e os outros não são populares. Livros? Li alguns e escrevo histórias (que parecem fanfics) de vez em quando. No resto do tempo, sou um estudante "normal" de Análise e Desenvolvimento de Sistemas (vulgo "Programação"). Prazer.

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