(12E) Me(us rece)ios – Capítulo 1

Tudo o que aconteceu até chegarmos a um relacionamento aceitável: é assim que começa o Meus Receios!

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Me(us rece)ios

(Só para constar: o logotipo passou por uma pequena mudança)Primeira estação:
Se os gostos estão divididos, os relacionamentos serão ambos perdidos…?


est4outCapítulo I : Março – Interesses

banned_download_proviNunca é tarde para uma reapresentação, ou para conhecer de novo (também entendido como “reconhecer”). E seria praticamente impossível para Fernando, garoto alto e de pele morena, nariz largo e penteado bagunçado, nem corpulento nem franzino (para quem não sabe: franzino é igual a muito magro), reconhecer uma velha amiga do fundamental chamada Alana ao ver, na fila do ônibus para a própria casa, aqueles olhos claros, em combinação com a franja reta e o rabo-de-cavalo no cabelo castanho, o rosto sardento e o corpo magro que não ganhara altura mesmo após dois anos.

(Pronto, descrevi um terço da história no primeiro parágrafo.)

Ambos foram estudantes da mesma turma na sétima série. Depois, descobriram-se alunos do mesmo colégio ao entrar no ensino médio, embora de classes diferentes e distantes (ele na turma A, ela na turma D). Agora, no segundo ano, a nova informação que adquiriram foi a de que passariam a pegar o mesmo ônibus (Alana, no ano anterior, aproveitara-se da carona materna).

(Dois terços concluídos.)

Tiveram a primeira conversa decente logo no começo do ano, em mais um dia que foram obrigados a descer do ônibus ainda no terminal por causa de problemas técnicos. Ao decidirem esperar pelo próximo, começaram a encontrar temas para conversar e, assim, passar o tempo. Mesmo que Alana preferisse aproveitar a longa viagem que beirava os cinquenta minutos para dormir. Mesmo que Fernando não gostasse de conversas muito longas (falar além do necessário era como um sermão para ele). Mas, quando Alana desceu do ônibus (ela desembarcava três pontos antes dele), despediu-se com um aceno mais caloroso do que o “Até” habitual – ela não era uma pessoa tão sorridente – e Fernando não sentiu que seu tempo foi perdido com aquele papo.

(Três terços de flashback em menos de uma folha! Bora começar outros flashbacks, depois a história de fato!)

12e_ql_larg_reallyverysmlAgora era meio de março, dia útil, horário de saída da escola, e Fernando seguia apressadamente a pé para o terminal (oras, só dez minutos de caminhada! Acha que vale a pena ficar esperando ônibus?). Ao atravessar uma rua, foi agarrado pela cintura.

Sobressaltado, virou e encontrou uma pessoa conhecida: Alice, garota alta e esbelta, olhos cor de âmbar (se você não sabe, âmbar é uma cor entre o amarelo e o laranja, com um leve toque de marrom) e cabelo comprido, castanho e liso, preso com uma tiara.

— Sabia que me assustou? — (poderia ser algum ladrão ou estuprador, segundo a mente de Fernando)

— Nossa, Fer, tente levar as coisas na brincadeira! Mas bem, deixando isso de lado, como está?

— Sempre apressado… Mas estou bem.

— Parece algo que algum aluno de curso técnico falaria. Está fazendo curso de quê?

— Não estou fazendo técnico.

— Eu também não. Isso nos torna “desocupados” perante a sociedade.

— No nosso caso, poderia ser apenas “estudantes”.

— Fica “menos pior”, não é? (risinhos)

De maneira sutil, ela aproximou-se do lado dele.

— Como estudantes que somos, em alguma hora que estejamos sem compromisso, não poderíamos sair juntos? Faz muito tempo desde a última vez.

Só para constar, o uso da palavra “sair” nesse contexto não significa “ficar” ou “ter um encontro” (embora não fosse como se Fernando não tivesse algum interesse por Alice), mas sim “andar juntos pelo centro da cidade”.

— O difícil é encontrar uma hora livre.

— Então não procure, mas espere. Acho que não custa tirar algumas horas de um dia para passear por aí. E, por que não sair acompanhado?

Fernando apenas respondeu que veria as suas possibilidades. Na verdade, não estava com ânimo para sair com ela, pois isso significava ficar sem sua companhia de conversas na viagem para casa desde o começo do ano – Alana. Afinal, tanto ele quanto a amiga do ônibus acostumaram-se aos encontros (quase) todos os dias na fila do terminal (e, para vocês verem como as coisas progridem, naquele dia, durante o intervalo, Alana visitou a classe de Fernando (e saiu de lá apenas quando o professor entrou!)).

Com Alana, ele conseguia manter uma conversa sem se cansar de falar. Era divertido. E, com Fernando, ela conseguia sorrir, interessar-se pelos assuntos de conversa (escola (obviamente), livros de aventura (nada de monstros sobrenaturais se envolvendo em triângulos amorosos), comidas (ela, vegetariana por necessidade; ele, por opção) e passeios ou locais).

12e_ql_larg_reallyverysmlAo entrar no terminal, era hora de começar mais um “encontro”.

— Você chegou atrasado. — reclamou Alana (mas em tom de brincadeira), assim que Fernando chegou à fila.

— Encontrei uma colega no meio do caminho, e viemos conversando.

— Para alguém que não gostava de conversar, você anda falando demais.

— Nossa, você acha? Nem foi tanta conversa assim… Com ela não tem muito o que falar, é mais questão de ouvir.

— Fala isso como se você ficasse mudo. Sabe, você é o primeiro garoto com quem realmente converso, mas sinto que não sou a primeira.

— Nossa, o que somos agora, namorados?

Tá. A menção da palavra “namorados” causou um aperto no coração de Alana. É aquele momento em que você sente um nervosismo por causa de algo, que associa a algum receio do passado. Ou do presente, quem sabe…

E, na verdade, Fernando não sabia por que usara essa palavra.

E Alana calculava a possibilidade que havia de eles tornarem-se um casal. Não era uma ideia tão repulsiva, apenas muito vaga (sonhar mais um sonho impossível…).

E Fernando pensava em Alice. Mas agora, após algum tempo sem encontrá-la e vê-la andando com outros garotos, e também com o fato de conversar com Alana (quase) todos os dias, percebeu que a amiga de ônibus era mais… Atraente Apaixonante Legal (Lembrem-se: quando alguém falar que uma pessoa é legal, sinta pena dessa pessoa.) Ele gostava dela. Só.

Mas vamos deixar os sentimentos deles de lado (afinal, Alana começou a mexer na franja e Fernando estava olhando para o alto, batendo o pé. Seria o nervosismo? (Sarcasmo:)Não, claro que não!). Vamos voltar para o que a garota respondeu:

— Assim faz parecer que estou com ciúmes. Mas, sendo sincera, você é o primeiro amigo que tenho. As garotas da minha classe são umas ******** (leia-se: pessoas populares, mas muito requisitadas por muitos). E um outro ser que ousei chamar de amigo — a voz dela ficou áspera — me deixou desapontada com uma atitude que tomou que me desrespeitou.

Após o instante de raiva, ela respirou fundo e voltou à serenidade.

12e_ql_larg_reallyverysmlAinda no mesmo dia, mas trinta e nove minutos depois, dentro do ônibus. Após muita conversa que não vou ficar escrevendo aqui, Alana estava indignada com a (falta de) nota em uma matéria, mas Fernando ofereceu-se para ajudá-la com a prova que estava próxima.

— Então, vamos estudar juntos. Ainda não aceitei o fato de que ela não aceitou meu trabalho.

— Quando podemos fazer isso?

— Seria bom ainda essa semana. Que tal na minha casa?

“Pode ser”, seria a resposta de Fernando. Mas… Espera, estudar na casa de uma garota é um dos maiores clichês possíveis! É óbvio que os dois ficariam sozinhos no quarto dela, e essa situação poderia levar a eventos que seriam realmente mal-entendidos. Portanto:

— Não sei…

Aí que Alana entendeu o que havia dito. Realmente, convidar um garoto para a própria casa levaria a situações difíceis de serem explicadas, além de que eles não eram tão próximos assim… (Ainda não) Envergonhada, resolveu consertar:

— É, teríamos problemas com minha mãe. Porém, podemos estudar na biblioteca, depois da aula.

Resolvido sem mais delongas. (Aviso ao editor: o evento “estudar na casa da amiga” terá que esperar mais algum tempo)

12e_ql_larg_reallyverysmlGrupos de estudos só funcionam de verdade quando uma pessoa sabe muito e as outras não tem tanto conhecimento. Porém, a partir desse ponto, não é mais “grupo de estudos”, e sim “aula”. Entretanto, e quando duas pessoas, amigas, fazem um grupo (ou melhor, dupla) de estudos? Depende do nível de intimidade. E quando eles acabam ficando mais íntimos após estudar juntos? Melhor para esses dois. Não é o ato de estudar junto com outra pessoa que te faz conhecê-la melhor, é o ato de conversar sobre assuntos que não tem nada a ver com o estudo em si (e essa é a razão geral para grupos de estudo não funcionarem).

Alana e Fernando agendaram um dia. Levaram lápis e caderno, leram livros e referências, pesquisaram na internet, resolveram exercícios e depois de duas horas, sentiram-se especialistas naquela matéria. Ah, então eles estudaram? Sim. Durante quarenta e cinco minutos. E, nos outros setenta e cinco minutos, trataram de relações interpessoais e descobriram novas coisas a respeito de si mesmos.

(É que, falando assim, vocês conseguem pensar em sentidos maliciosos (se é que vocês me entendem…))

O melhor detalhe: é bom ficar junto com alguém em quem se confia. Mesmo que essa pessoa fosse quase que desconhecida até um mês atrás. Mesmo que essa pessoa tenha uma personalidade diferente. Nada disso faz diferença a partir do momento em que ficar com essa pessoa faz sentir-se bem. Isso que importa.

Foi a partir daquela tarde que Alana sentiu que poderia confiar em Fernando (e também percebeu que ele daria um bom professor de fundamental). E ela, que escolhera ser sincera para que os mentirosos não a enganassem (já que, por conta de ser sincera demais, ninguém falava com ela), percebia que ele era, pelo menos, honesto.

E essa sinceridade era um ponto que Fernando admirava em Alana. Faltava-lhe coragem para dizer tudo o que gostaria, mas percebeu que ela falava algumas dessas coisas por ele. E também admirava a capacidade dela de organizar e agendar tudo. E, quem diria, assim como ele podia ser mais gentil do que pensava, ela conseguia ter alguma delicadeza.

Já prestes a voltar para casa, mas ainda a caminho do terminal, a garota comentou com o amigo:

— Fernando, estava pensando nisso e concluí: gostaria de sair com você mais vezes. Que tal?

Nesse contexto, a palavra “sair” tem um sentido diferente do que Alice usou lá no começo. Entendendo isso, o garoto sugeriu:

— Não vejo problema. Podemos ver um filme que estreou…

12e_ql_larg_reallyverysmlNão perderam tempo para o “primeiro encontro”: logo no final de semana seguinte, marcaram de ir no mesmo ônibus. Pela primeira vez, viram-se com outra roupa que não era o uniforme de escola (isso faz (muita) diferença – afinal, nunca veríamos Alana de vestido, sandálias e cabelo praticamente solto em sala de aula. Quanto a Fernando… Ele só trocou a camiseta de uniforme por uma “UNIVERSITY 21” genérica, pois a calça jeans e o tênis faziam parte do visual escolar também).

— Você está muito bonita com essa roupa — Fernando elogiou.

— Você continua como sempre. — Alana respondeu, sincera até demais.

Talvez isso fosse um elogio (tipo: “Sua beleza continua bela”). Contudo, depois dessa resposta, não falaram mais nada relacionado à aparência. Isso não significa que não conversaram sobre muitas outras coisas, como sempre.

Para aquele evento, Fernando tinha uma meta: pedir Alana em namoro. Aquilo era basicamente um encontro, só restava assumir o relacionamento de uma vez por todas. E o maior problema, segundo ele mesmo, era descobrir o momento certo para fazer isso. Ah, Alana tinha algo em mente também (não vou contar – continuem lendo), sabia quando queria fazer, mas pensava se conseguiria fazer certo.

Objetivos à parte… Mais tarde, após o término da sessão do cinema:

— Nem um décimo de entrada valia para aquele filme. — Alana, que não conhecia o livro original, reclamou.

— Não teve nada parecido com o livro original. — Fernando, que leu o livro, concordou.

— Segundo o que você me contou, ou seria algo muito **** (leia-se: incrível) ou essa ******** (leia-se: produção de má qualidade) cheia de batalhas inúteis.

(O que mais esperar de uma adaptação, afinal?)

Ele ficou um tanto frustrado. Levar uma garota para ver um filme ruim… Ainda deveria fazer o pedido de namoro? – perguntou à própria consciência.

— Da próxima vez, pesquisaremos melhor. E está cedo, ainda podemos passear um pouco pelo shopping. — Ela respondeu, como se dissesse: “não acabou só por causa dessa ******** (leia-se, com muito sarcasmo: maravilha) de filme”.

Ainda andaram bastante e compraram algumas coisas, além de tomar um lanche por lá. E saíram sorridentes, conversando.

Pegaram um ônibus, e Fernando ainda não sabia como pedi-la em namoro. Trocaram para o ônibus que os levaria ao bairro, e a mesma situação. Estavam perto de casa, sendo praticamente os únicos passageiros do veículo, e nada. Ele já estava desistindo, se penalizando pela falta de atitude.

— Ei, Fernando. Antes de descer, você me dá uma coisa?

— O que seria?

— Ah, esqueça. Pedir é desnecessário. Só olhe para mim.

Aproveitando-se do impulso de um buraco na rua no meio do caminho (sim, ela calculara aquele momento), Alana aproximou o rosto ao de Fernando. E aí, não deu para evitar (e, na boa: para quê?): os lábios se uniram. Os corações dispararam.

— E assim, roubei-lhe um beijo. (Melhor do que um beijo dado) — enrubescida (vulgo “corada”), a garota murmurou, feliz.

— Alana… Você quer namorar comigo? — o garoto soltou aquilo, finalmente. Ainda estava surpreso (e ligeiramente atordoado).

— Acha que precisa pedir? — ela estava com a voz dominada pela emoção.

Aproveitando a resposta, foi a vez de Fernando roubar-lhe um segundo beijo. Teve que ser breve, pois ela desceria no próximo ponto. Mas foi uma boa despedida, seguida de um aceno animado e, mais tarde, doces sonhos…

12e_ql_larg_reallyverysmlNão se encontraram no domingo por causa de um compromisso de Alana. Isso não os impediu de conversar (muito) por telefone. Na segunda, se viram de novo, e aí o namoro deslanchou. No meio, toda aquela parte clichê de romance, como:

— Você ainda não disse que me ama.

— Acha mesmo necessário?

— Sim. Te amo.

— Te amo do mesmo jeito.

(Não preciso definir quem está falando o quê. Não importa.)

E assim a história segue. Uma semana, duas, três… Até então, sem nenhuma discussão séria. Fernando caminhando em passo acelerado para o terminal, onde Alana o esperava. Do nada, uma voz surgiu por trás dele:

— De novo com pressa, Fer? Indo ver a namorada?

De novo Alice, sorrindo levemente. Era um reencontro depois de um tempo de distância, então algumas explicações eram necessárias – por exemplo, “por que está parecendo tensa, Alice? Algo aconteceu comigo que você não está sabendo muito bem?”.

(Continua…)


by ClaMAN

P.S.1: Acreditam que eu terminei isso na madrugada de sexta?

P.S.2: E acreditam que não teve quase nenhuma revisão?

P.S.3: E imaginam que fiz isso enquanto programava meu TCC?

P.S.4: E crêem que isso foi feito baseado em ideias reais?

P.S.5: No dia 2 de julho, o primeiro capítulo de Anti Cupido. No dia 12 de julho, o segundo de Como começar uma conversa sobre amor.

Autor: ClaMAN

Animes? Assisto, mas a maioria ou é de romance ou é de fantasia ou é de vida cotidiana. Jogos? Jogo, mas meu jogo preferido é um simulador de ônibus, e os outros não são populares. Livros? Li alguns e escrevo histórias (que parecem fanfics) de vez em quando. No resto do tempo, sou um estudante "normal" de Análise e Desenvolvimento de Sistemas (vulgo "Programação"). Prazer.

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