(12E) Como começar uma conversa sobre amor – Capítulo 8

Declarações, vontades, atitudes e falas por engano nesse oitavo capítulo de CCUCSA!

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Como começar uma conversa sobre amor

(Só para constar: o logotipo passou por uma pequena mudança)Terceira estação:
Quem diria que cada passo dado levaria a um caso complicado?


(Ler o capítulo anterior…)

Capítulo VIII : Dezembro (ainda) – Vontade de Agirbanned_download_provi

Depois de tanta tensão, perceber que o ano finalmente está chegando ao fim causa uma sensação generalizada de alívio. Nesse clima (quente), é tempo de pensar no que você tem vontade de fazer: viajar, passear, relaxar em casa… Ou, quem sabe, fazer uma declaração de amor

— Então… Bem… Eu te amo. — disse Saulo, ligeiramente envergonhado, olhando para os pés. Não é todo dia que alguém como ele se declara para uma amiga…

E Anna observava, um tanto quanto surpresa (e o outro tanto ela não sabia definir. Talvez… Impressionada?) com o que o amigo acabara de fazer. Agora admirava ainda mais a coragem do garoto de falar uma coisa dessas…

…Diante de uma vassoura.

Era um dos últimos ensaios para a peça de teatro, e a garota que faria a personagem que ouviria a [atuação de] confissão de Saulo desaparecera naquele dia. Anna só estava assistindo de longe, ao lado de Giulia (que, no fim das contas, participaria mesmo da peça). Um dos colegas de Leandro ajudava os ensaios fazendo a narração.

— Para um grupo amador de estudantes, até que estamos bem organizados. — Giulia comentou (e vale dizer que, além de participar, dera uns palpites em algumas coisas).

— Sim… — Anna achava tudo aquilo incrível. Até a participação dela naquilo era surpreendente, afinal, nem em sonho que ela iria atuar em um teatro. “Espero que dê certo… Se eu fizer isso, será uma experiência a mais, alguma coisa diferente!”

E era por essa expectativa que estava apreensiva… Se errasse, estragaria tudo (bem, não tem muita margem de erro em uma única cena onde ela passava saltitante pelo palco, sem fala alguma. Tropeçar, talvez?).

— Ah. Eu entro agora. — Giulia, percebendo a deixa, deixou a amiga em seus pensamentos pessimistas.

Saulo, em outro canto, ficou observando a garota em suas falas. Logo agora, no fim do ano e no fim do ensino fundamental, estava descobrindo mais coisas sobre ela… Mas já decidira: depois do teatro (que, nos pensamentos otimistas dele, seria um sucesso com reapresentações pela cidade afora (sonhar mais um sonho impossível…)), usaria toda a sua coragem e declararia seu amor por Giulia (estamos esperando por isso desde o terceiro capítulo, Saulo Haen! Agora vai?).

Afinal, parece que esse negócio de encenação deixou-o mais “solto”. Estava encontrando o personagem por dentro da sua personalidade, e isso era maneiro. Sentia-se à vontade para chegar diante de Giulia, mesmo com um montão de gente vendo, e gritar aos quatro cantos que a amava…

— Saulo! Acorda! — Vendo que o garoto estava perdido em devaneios no momento de voltar à cena, o narrador deu uma livrada na cabeça dele para que voltasse ao ensaio. Como eu não estou com vontade de descrever a cena toda, sigamos adiante.

12e_ql_larg_reallyverysmlDepois de uma atividade extra na escola, dá vontade de relaxar… Portanto, Anna e Giulia ainda ficaram mais alguns minutos conversando. Como ficar por muito tempo em alguma atividade gasta energia, logo foram comer algo na cantina. Conversavam sobre filmes e cinemas (Anna, como exemplo de pessoa estereotipadamente sem amigos, nunca fora ver um filme na “telona”, e ficava superestimando Giulia por já ter tido essa e outras experiências)…

Saulo, que andava rumo à saída, viu as duas e sentiu vontade de fazer uma experiência consigo mesmo:

— Ah, Anna, ainda bem que te encontrei… — “pelo visto, eu consigo falar normalmente com ela mesmo com a Gi (olha a intimidade…) por perto.” — E olá, Giulia.

— O que foi, Saulo? — Anna comentou, pensando “Ele está meio nervoso ou será só impressão minha?”. Enquanto isso, Giulia cumprimentou-o com um sorrisinho e um aceno de cabeça (nível de “coleguice” aumentando aqui!).

— Eu queria saber se alguma de vocês poderia me emprestar…

(Diálogo omitido por ser irrelevante. Não é porque o autor está atrasado com o capítulo, de jeito nenhum.)

12e_ql_larg_reallyverysmlRespostas e despedidas depois, Saulo se foi (para casa, tá? Ele não morreu (ainda (vish…))), pensando que “Realmente, o teatro está me ajudando a ser menos ansioso!”, e as duas permaneceram no pátio.

— Err… Anna, eu não sei se você repara nisso, mas… Não parece que esse seu amigo age de maneira estranha quando está perto de mim?

De fato, não era a primeira vez. Nos primeiros ensaios que os dois fizeram juntos, o garoto emperrava nas falas (enquanto isso, nas outras cenas, atuava perfeitamente)(é a pressão que dá quando você sabe que a pessoa que você gosta está vendo você fazer alguma coisa especial). Anna sentia algo parecido quando estava perto de Leandro – como se tivesse que andar em uma corda bamba entre dois prédios de cem andares usando salto agulha e… Deixa eu parar por aqui, esse exagero me deu vertigem.

— Eu acho que entendo. — Então ela não era a única que percebia. Ou seja, aquele nervosismo era muito descarado.

— …Entende? — Quem estava com vontade de entender as coisas era Giulia, que terminou de comer um sanduíche cheio de molho com extrema elegância antes de tornar a perguntar.

— …Quero dizer, é o jeito normal de agir dele… — Anna estava prestes a se colocar demais no lugar do amigo — …Eu acho.

— Não sei… Você tem mais proximidade, então o conhece melhor do que eu.

A partir desse momento, em que (achou que) foi eleita como “amiga mais próxima” de Saulo, Anna sentiu sua autoconfiança subir.

“É a chance que eu tenho para apresentar melhor o Saulo que eu conheço para a garota que ele gosta! Não posso perder essa oportunidade! E eu sinto que posso ajudá-lo!”

— Pois é… Na verdade, eu meio que entendo o porque de ele agir assim. Ele parece que fica nervoso, mas eu acho que é normal… É normal, não é…?

— Depende… — Giulia não tinha pretensão de ser psicóloga (e, por isso, não tinha vontade alguma de entender o que se passava pela mente da garota). — Ficar nervoso não é tão normal… — A não ser quando você está perto de alguém que superestima por alguma razão.

— Mas eu também me sinto assim, normalmente quando estou perto do Leandro… — Epa, Anna, cuidado com o que fala. — Em filmes e séries, quando uma pessoa gosta de outra, não se sente meio nervosa? Acho que é isso…

Estalo de “opa, falei mais do que devia”.

12e_ql_larg_reallyverysmlSorte que Giulia é ruim (quando eu digo que é ruim, é porque é péssima) em captar indiretas, metáforas e outras formas de linguagem que dependem de entrelinhas. Ou seja, não associou que Saulo ficava nervoso perto dela por gostar dela.

— Então… Será que ele está gostando de alguém? Mas… Eu não entendo onde isso se relaciona comigo…

Anna, a essa altura, achava que Giulia associara os pontos e entendera o amor do amigo por ela. Então, estava com vontade de ir para seu quarto e bater a cabeça na parede por causa do que falara.

— Err… Anna? Está tudo bem?

— …O… Que… Eu… Faço… Agora…?

Nesse momento, Giulia sentiu vontade de poder ler mentes. Qual era o problema com essas pessoas, que estavam de bom humor, e de repente começavam a ter ataques de nervos?

— Depende do que aconteceu.

— …Se o Saulo descobrir que contei isso… Será que ele vai me perdoar?

— Mas… Então ele realmente gosta de alguém? Fique tranquila, eu não conto para ninguém. — Giulia tranquilizou a pobre menina chorosa afagando a cabeça dela. Estava sendo honesta, e nem sabia quem era a paixão oculta do garoto mesmo…

— Ah, sério? — Anna se animou, confiando na menina. — …Então, você consegue ser gentil com ele quando… Ele for se declarar para você…?

Respire fundo, leitor, Anna só quis ajudar. Contenha sua vontade de ralhar com ela, vamos contar até três (um, dois, três) e voltar à sequência de fatos.

12e_ql_larg_reallyverysmlGiulia sentiu vontade de ignorar que ouvira aquilo, mas… Não era tão simples, principalmente depois de perceber que a atitude e o comentário de Anna comprovavam isso perfeitamente: era ela a amada do menino. E percebeu que, se isso fosse uma avaliação como um vestibular, essa era uma questão tão óbvia que errar era realmente vergonhoso.

— …Eu terei que pensar nisso com calma.

12e_ql_larg_reallyverysmlAnna conseguiu se acalmar e não estava mais com vontade de bater a cabeça na parede. Afinal, confiava em Giulia (além de achá-la superior em todos os quesitos: inteligência, postura, experiência, atratividade (essa palavra existe?), tamanho do busto…), assim como confiava em Saulo. E, como eu já citei seis capítulos atrás, confiança é algo firme como um amigo segurando sua mão para que você não caia num abismo (emocionante, não?).

E, olha que romântico (espera aí, não é pra ser romântico, afinal os dois são só amigos!), Saulo também confiava em Anna! É uma confiança mútua! Da até vontade de shippar chorar de emoção…

— Anna… — Numa hora mais livre, sem qualquer outra pessoa por perto, dava para conversar sem nervosismo. — Eu decidi: vou me declarar para a Giulia logo depois de apresentarmos o teatro.

Reação interna de Anna:

“Awwwn, como será que ele vai se declarar? Será que vai ter cartaz, flores, coração de pelúcia? (ANNA, ELE NÃO VAI PEDI-LA EM NAMORO, TÁ? Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa) Será que eu posso assistir de longe? Talvez seja como naqueles desenhos japoneses, em que o garoto confessa o amor pela garota em uma classe vazia ao pôr do sol… TÃO LINDO! Mas aí eu não poderia ver, aah :(”

Reação externa de Anna:

— … (não sabe o que dizer)

— Você acha que eu não deveria?

— Ah, não… Acho que você está certo…

— Então… Não é para me declarar?

— Eu quis dizer… Que é para você se declarar.

— Ah.

— …

Falar é fácil. Se fôssemos confiar nos planos otimistas de Saulo, ele trocaria mensagens com Giulia, teria feito aquele trabalho do capítulo passado com ela e estaria agora conversando com ela sobre a melhor maneira de interpretar determinado personagem. Mas, isso tudo depende da vontade e do momento certo de agir.

— Será que é o momento certo? Ou será que devo antecipar…

— …Acho que é melhor depois que tudo passar. — Com a experiência adquirida em séries e artigos de revistas para adolescentes estereotipadas, depois de uma declaração o comportamento entre duas pessoas tende a mudar… E, após uma rejeição, com certeza o ânimo do rejeitado despencaria.

— Bem, seguirei o seu conselho…

— Saulo… Espera.

— O que foi?

Anna queria matar a vontade (ou a pressão) que a atacava – pedir desculpas por ter revelado um segredo a ela confiado. Mas… Era como uma declaração. Ela não tinha tanta coragem (ou ousadia) para aquilo.

— É uma coisa… Que eu queria dizer.

— Pode falar.

Como se ela conseguisse… O medo de perder o amigo, de ser novamente rejeitada era maior. Se Saulo confiava nela, então era vontade de Anna manter esse laço de confiança.

— …E se ela… Suspeitar do que você vai fazer? E se ela te rejeitar?

— Eu penso que não importa. A minha maior vontade é que ela, ao menos, me ouça.

Parece lindo, não é? É que tem um pequeno detalhe que Saulo “deixou passar” e que Anna não sabe: ele não pretende namorar Giulia. Só quer falar que gosta dela. Depois de tanto admirá-la, pensa que será melhor assim.

12e_ql_larg_reallyverysmlComo isso daqui não é uma história sobre uma peça de teatro, eu vou pular completamente os detalhes da apresentação. Só digo que os alunos que assistiram gostaram bastante, e a tal professora homenageada ficou tão feliz que (chorou bastante de emoção e até) desistiu de se aposentar para investir no potencial cênico dos seus alunos.

12e_ql_larg_reallyverysmlEu pularei essa parte toda (depois eu faço o script da peça para vocês lerem e entenderem (mas não prometo nada)), pois agora o que é realmente importante é o que aconteceu depois da peça.

Anna estava feliz com o fato de que tudo deu certo (exceto que, na hora de entrar em palco, como eu previ, ela tropeçou e caiu diante de umas duzentas pessoas que assistiam. Leandro, nos bastidores, já imaginando coisas assim com os menos experientes em atuação, fez um sinal para que ela fingisse que nada aconteceu, levantasse e concluísse a cena. (como será um sinal desses?)).

Ao longe (trecho que eu tinha vontade de desconsiderar, mas o contrato pede), Paula e Joyce conversavam (e Christine? Preferiu ficar em casa).

— Eu esperava mais (dos) meninos do ensino médio… — Joyce queria ver mais ação.

— Eu já imaginava alguma coisa mais leve mesmo, pelo que tinham me falado. — Paula esperava um pouco mais de romance (e não um beijo cenográfico).

— Se a Chris tivesse visto, estaria reclamando da Gi. Alguma coisa como “porque chamaram aquela ***** (leia-se: garota orgulhosa demais) para participar? Estragou a peça!” — Joyce, em voz de falsete, imitou a amiga.

— Pois é, bem assim… Mas até que a Gi usou a capacidade de chamar atenção de um jeito interessante. Deram um bom papel para ela.

Risos.

12e_ql_larg_reallyverysmlNão dá para agradar às vontades de todos toda hora. Mas, que dá vontade de comentar sobre o que aconteceu, isso é verdade.

Não tendo mais nada a fazer de atividade extracurricular, é hora de pensar no que você tem vontade de fazer a partir de agora: Ver filmes, jogar, passear com amigos… Ou, quem sabe, fazer uma declaração de amor(2).

Anna nem reparou, no meio do pessoal que aproveitava a deixa do teatro para conversar, desejar boas festas e etcetera, que Saulo e Giulia haviam saído. Na verdade, Giulia dissera o essencial com algumas pessoas e quase fora embora, mas Saulo a alcançara antes.

— O que você quer falar comigo? — a garota já imaginava, na verdade. Tanto é que, ao invés de ficar parada no meio do corredor, foi para o pátio vazio.

— Eu só queria… Uma coisa, antes que você fosse embora.

Esses momentos dão um nervosismo extremo, mesmo para quem acabou de apresentar uma peça teatral. Mas essa era a melhor chance que Saulo tinha, então…

— É que… Já faz algum tempo que eu gosto de você.

Para Saulo, era um peso a menos para carregar. A vontade realizada de fazer a declaração para Giulia. E claro, a reação interna: “Finalmente… Eu consegui! Falei com ela, tomei coragem e me declarei! Agora é só esperar por uma resposta…”

Para Giulia, era um peso a mais. Observar aquele garoto alguns centímetros menor que ela, de cabelo bagunçado, (Saulo prefere dizer que é “rebelde”) ligeiramente tenso… Ouvir uma declaração… Já saber que ele faria isso… E ter que dar uma resposta…

— Err… De certo modo, eu sabia. E… — Bem, como responder a uma declaração de amor? — …Eu estou solteira, mas não pretendo me envolver em relacionamentos no momento.

— Eu só tinha vontade de falar que gosto de você mesmo… Não é um pedido de namoro. — (as pessoas nunca entendem essa diferença).

— Ah… Então, — piorou para Giulia. Como responder a uma coisa que não era um pedido de namoro? — acho que é uma chance de podermos nos conhecer melhor, talvez…

12e_ql_larg_reallyverysmlA vontade a partir de agora é aprofundar a relação, ou apenas de dar uma oportunidade para isso. A vontade é de não quebrar os laços de confiança.

Giulia não queria prejudicar a amizade de ninguém, mas…

— Só um detalhe… Você comentou que sabia? — Saulo sentiu vontade de perguntar sobre esse detalhe que deveria ter passado batido. Droga, Saulo!

— …Digamos que eu entendi por acaso, há alguns dias atrás.

Mesmo que você esteja com vontade de ver o resto… Eu apenas direi:

(Continua…)


by ClaMAN

P.S.1: Por pouco não sai no dia 18 de janeiro. Procrastinação é algo muito grave…

P.S.2: Agenda das publicações previstas (vai sofrer mudanças):

  • 17/01: Como começar uma conversa sobre amor, capítulo 8 (THIS)
  • 27/01: Me(us rece)ios, capítulo 8
  • 07/02: Anti-cupido, capítulo 8
  • 18/02: Como começar uma conversa sobre amor, capítulo 9

P.S.3: Se isso acontecer de novo, o horário de publicação vai virar 15:36.

Autor: ClaMAN

Animes? Assisto, mas a maioria ou é de romance ou é de fantasia ou é de vida cotidiana. Jogos? Jogo, mas meu jogo preferido é um simulador de ônibus, e os outros não são populares. Livros? Li alguns e escrevo histórias (que parecem fanfics) de vez em quando. No resto do tempo, sou um estudante "normal" de Análise e Desenvolvimento de Sistemas (vulgo "Programação"). Prazer.

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