(12E) Me(us rece)ios – Capítulo 9

O capítulo mais demorado da história do Doze Estações saiu!

Anúncios

Me(us rece)ios

(Só para constar: o logotipo passou por uma pequena mudança)Terceira estação:
Houve chances, mas atitudes faltaram – desejos, vontades e incertezas restaram.


(Ler o capítulo anterior…)

Capítulo IX : Novembro – Diálogos completamente questionáveisbanned_download_provi

E então… O que você quer fazer agora?

Você sabe?

Se não sabe… Posso te ajudar a descobrir.

Afinal, a vida é muito curta para que fiquemos assim, tão indecisos.

Ou melhor: a vida é muito curta para que levemos tudo tão a sério.

12e_ql_larg_reallyverysml

Parte 1 (Nos primeiros dias de novembro) – Provocação

(A descrição a seguir não deve ser lida com muita atenção. Não agora.)

Alice não era o tipo de pessoa que costumava ficar muito tempo presa em casa. Esse termo “presa” explica exatamente o porque – ela simplesmente pensava que, se havia um mundo cheio de coisas diferentes, era melhor passar o tempo observando esse mundo. Aproveitando qualquer coisa nova que ela encontrasse por aí, simplesmente por… Querer? É a única palavra que deu para usar aqui.

Fora isso, Alice não era uma garotinha ingênua. Isso você já deve ter percebido com as provocações de outros capítulos, mas eu sei que, às vezes, parece só brincadeira.

Porém… Dizem que toda brincadeira tem um fundo mais sério…

12e_ql_larg_reallyverysmlOk, já cansou de introdução, não é? Vamos à história.

Passados três meses desde que seu status de relacionamento mudou, Fernando percebeu que não conseguia ter disciplina ao estudar sozinho em casa. Nesses momentos, ele notava que a falta de alguma companhia afetava a ele, mas… O que poderia fazer?

Ele poderia falar com Alice, afinal ela disse no capítulo anterior que estaria sempre por perto, não era? Eles se conheciam há mais tempo, então supostamente seria mais fácil para pedir ajuda com estudos ou mesmo ir na casa dela (ou o contrário). Porém, depois de todos os eventos entre os dois, não dava para imaginar o que a garota poderia fazer – parecia que chamar para estudar era o mesmo que ir a um encontro romântico, e ir à casa dela era como… Bem, aquilo que todos acham que um casal adolescente faz quando estão sem família por perto (bebem refrigerante e comem pizza enquanto bagunçam a casa? Isso mesmo, exatamente!). E Fernando (achava que) decidira que não queria Alice como sua namorada – isso desde o dia em que conheceu Alana a fundo (Não leve para o sentido malicioso, por favor – eu quis dizer naquele dia do começo da história, durante aquelas conversas no terminal…).

Então, Fernando sacudia a cabeça e tentava não pensar na ex-namorada, nem na amiga que parecia gostar dele. Eram casos de amor que já haviam encontrado seu fim, e ele precisava se focar e estudar sozinho, seguir a vida como sempre.

12e_ql_larg_reallyverysmlDepois de duas horas enrolando, ele estava quase levando as coisas a sério: tanto que abriu o caderno!

“Eu vou provar para mim mesmo que posso estudar sozinho!”

Claro, ele pensava em Alana e nos dias em que os dois ficavam ali, revendo matérias e discutindo problemas. Ela não ajudava muito em explicações (embora fosse consideravelmente inteligente), mas dava-lhe disciplina e alguma companhia. Depois dos estudos, às vezes saíam para passear, ou iam ver algum filme… Essa era a parte boa.

E Fernando novamente sacudiu a cabeça, voltando a focar nos exercícios a resolver… Sozinho. Mas prometeu se auto recompensar com algum lanche caprichado (embora não há sanduíche que se equipare a um beijo de amor…).

12e_ql_larg_reallyverysmlDepois de alguns minutos, estava quase engrenando de vez nos seus estudos, e já não pensava mais em suas conhecidas. Essa cena acabaria por aqui se não fosse o celular de Fernando interromper toda a concentração do garoto com seu toque.

Normalmente, as ligações que Fernando recebia podiam ser classificadas entre “avisos dos pais”, “operadora” e “ligações para o número errado”. Principalmente aquela, provinda de um número desconhecido.

— Alô. — o garoto atendeu, não muito feliz. Ligação em um sábado, quase seis da tarde… Chateia qualquer um.

— Pelo visto, ainda é difícil para levar as coisas à sério, Fer.

(Nota do autor: POR ESSA VOCÊ NÃO ESPERAVA, NÃO É?)

— Hã? — Pelo visto, Fernando precisaria criar uma nova categoria para as ligações surpresa (e com frases sem nexo) de Alice.

— Seu mundo lê os eventos como se fossem levianos, incertos. Parece que as coisas podem esperar até que algo mais grave aconteça…

— Alice… Você me liga assim, de repente, só para falar essas coisas sem sentido? E, aliás, como você sabe meu número?

— Você deveria ter perguntado isso quando te mandei a primeira mensagem há uns meses, Fer. E o que importa, dessa vez, não são os meios. Por que pensa que te liguei?

— Para me encher o saco. — Aqui Fernando expressou sua irritação.

— Se fosse por isso, tenho certeza de que você já teria desligado.

Era um bom argumento. Alice 1, Fernando 0.

— Então, para ficar falando essas coisas sem sentido. — Aqui Fernando expressou a verdade (aprendeu com a ex-namorada).

— Se minhas frases não tem sentido para você, Fer, então é hora de prestar mais atenção e ler as entrelinhas. Já pensou em reler os capítulos anteriores?

— Hã? — “Estamos em um livro, por acaso?” (Yes! Quebrei a 4ª parede!)

— Não falei? Leve as coisas mais a sério de vez em quando.

Não sei como, mas… Alice 2, Fernando 0.

— Na verdade, eu liguei por querer um favor seu, Fer. As provas de fim de ano estão próximas e estou com várias dúvidas. Então, poderia me ajudar a estudar?

— Acho que sim… Mas… Agora? Já vai escurecer, e… — Fernando não sabia bem o que responder na situação em que estava.

— Não tem problema, em cerca de um minuto chego na sua casa.

(Nota do autor: POR ESSA VOCÊ NÃO ESPERAVA, NÃO É? ²)

— Ah, então está bem.

Fernando deu essa resposta por ser o que falaria para Alana… Aí lembrou que estava falando com outra garota. E aí veio a surpresa total.

— Alice, você sabe onde eu moro? — Claro que ele estava incrédulo.

— Se eu disse que estou a um minuto de distância, então eu sei. Isso é um tanto lógico, não é, Fer?

— Como você descobriu? — Agora era hora de ter medo da amiga stalker.

— Foi por acaso, mas… Esse é o tipo de coisa que você não precisa levar a sério, Fer.

Bem… É sério que não se deve levar a sério o fato de que alguém, por acaso, descobriu seu endereço de residência?

12e_ql_larg_reallyverysmlNão era difícil perceber que Alice era totalmente diferente de Alana. E, por isso, Fernando sentia-se no direito de não ficar à vontade (é ruim não ficar à vontade dentro da própria casa, não é?) diante da visita inesperada que, aliás, parecia bem mais elegante do que na escola, vestida com roupas casuais (laço no cabelo, camisa de botão, shorts jeans e rasteirinhas (eu pesquisei em sites de moda para criar esse look, tá?)).

Incrivelmente, essa visitante parecia estar bem à vontade… Para terem uma ideia, após entrar, conhecer os pais de Fernando e visitar o quarto do garoto, ela estava jogada na cama do garoto (como se já estivesse acostumada há tempos ao local)(e ele, sentado em uma cadeira).

— Deve ser realmente um alívio ser filho único e ter a casa só para você, Fer. O que vamos fazer agora? — imaginem uma garota alegre.

— Você não disse que vinha aqui para estudar?

— Pensei melhor e… Acho que podemos deixar isso para outro dia.

O sorriso que Fernando não possuía na face sumiu mais ainda. Alice percebeu e estreitou os olhos de maneira travessa.

— Oras, Fer, não fique tão tenso. Essa é sua casa, e não é como se as provas estivessem realmente batendo à porta. Ainda temos tempo para levar as coisas na brincadeira… — A garota se virou e sentou na borda da cama (sem nem lembrar que não estava na casa dela, pelo visto) — Porém, apenas algumas coisas.

— Já que não vamos estudar, não sei o que veio fazer aqui.

— Acabei de pedir que decidisse isso, Fer. Não pensa em nada que um garoto e uma garota podem fazer sozinhos em um quarto? Durante um encontro como esse?

Se isso não for um exemplo de “dar em cima”, não sei o que mais poderia ser.

— Alice… — Fernando estava seriamente preocupado (além de envergonhado), pensando que poderia perder a virgindade a qualquer minuto — Isso… É sério? O que você deve estar pensando…

— Você quem escolhe, Fer. — Aquele olhar malicioso dela (deixem eu ser feliz e associar a palavra malícia à Alice.) mantinha contato com os olhar indeciso dele — Quer desperdiçar o resto do seu sábado em estudos? Ou quer aproveitar o tempo com uma amiga que veio te visitar? Quer entender o que está acontecendo e por que estou aqui? Ou… — Alice levantou-se sem pressa e foi na direção dele — Prefere ficar pensando no que faria se ainda namorasse aquela garotinha? O que você vai decidir levar a sério, o que você não vai…

A garota inclinou-se diante do garoto, os rostos ficaram na mesma altura e a alguma distância e, da posição dele, era possível olhar além do decote…

— Alice! — Fernando me interrompeu (ainda bem – senão isso viraria +18) e levantou num pulo — O que você quer que eu faça, então?

— Tome uma atitude. — a resposta veio em um tom tão simples e neutro que parecia até um pensamento dele. Mas não, foi a jovem diante dele que disse isso — Simplesmente escolha de que maneira quer mover seu mundo. Eu estou aqui por minha escolha para ajudar você, Fer.

— Mas… Por que eu iria precisar da sua ajuda?

— Sabe, Fer, a resposta está diante de você. Te provocando, brincando contigo. Por isso, você pode nem querer pensar nela, mas… É hora de levar esse tipo de coisa a sério.

12e_ql_larg_reallyverysmlO que você quer fazer agora?

Alice deu um passo para trás. Sem alarde (mas com um sorrisinho travesso), desabotoou um botão do topo da camisa.

Na posição de Fernando, jovem virgem, imaturo, inseguro, inocente (até certo ponto) e de mente simplória, aquilo era provocação demais para um horário daquele. Parecia que qualquer ação seria errada. (como se ele estivesse com coragem para tomar alguma ação… A essa altura da história, vocês já conhecem bem o sujeito.)

— Você sabe? Se não sabe… Posso te ajudar a descobrir. — Quase aos sussurros, mais dois botões foram abertos. Se eu escrever o que estou pensando, isso fica a um passo de se tornar uma história +18 e minha censura não deixaria esse capítulo ser publicado.

Ele pensava nos pais, no andar abaixo assistindo televisão como se fosse absolutamente comum ficar sozinho com uma garota fechado no próprio quarto (mesmo na época de Alana, não era). Não queria que vissem a cena (porém, nem que a interrompessem). Mas também… Talvez não quisesse ver aquilo acontecendo – “Não precisa ser Alice, não precisa ser agora, não precisa ser assim”.

— Afinal, a vida é muito curta para que fiquemos assim, tão indecisos. — Alice, mantendo um certo ritmo, continuava com o processo do desabotoamento sem demonstrar nervosismo ou algo assim. — Ou melhor: a vida é muito curta para que levemos tudo tão a sério.

12e_ql_larg_reallyverysmlAssim como um virgem prestes a ser deflorado sem consentimento mútuo (eu vou ficar batendo nessa tecla para enfatizar esse sentimento), Fernando não estava nem um pouco tranquilo diante de Alice, que podia abrir a blusa no momento que quisesse e sorria provocante para ele.

— Por que está levando esse evento tão a sério, Fer? Nesses casos, é melhor relaxar.

Dizer isso a alguém que parece estar mais amedrontado do que excitado é meio inútil.

— Eu… Não sei.

— É você quem decide até onde quer ver. — ela deslizou a mão pela abertura da camisa (Alice Felter – desde 2013 acelerando corações alheios) — E ainda estou esperando que você decida: O que você realmente quer agora? Ou melhor, Fer, você sabe o que quer, basta tomar atitude e admitir isso. Saber o que é sério e o que não é.

Ela caminhou alguns passos para mais perto dele, parou e fechou os olhos (acho que já vimos essa cena antes).

— Aqui está uma das opções. Onde está a sua resposta, Fer? Faz parecer que temos ainda muito tempo para brincar… Assim, nem parece que o período de experimentar já acabou…

Fernando nem se lembrava que estava em casa. Pensava se teria coragem de assumir uma relação com Alice – que estava diante dele esperando por uma decisão dele… Precisava ser essa a decisão? Ele realmente queria isso? Teria atitude o suficiente para tentar algo completamente novo?

Não, não e não. Estava ansioso e temeroso. Ela poderia fazer acontecer se quisesse, mas… Ao colocar a decisão na mão dele, a garota o fez perceber que ainda não estava pronto.

— Alice… Não quero fazer isso.

12e_ql_larg_reallyverysml


Parte 2 (chegando ao meio de novembro) – Incômodo

Aguentam mais um pouquinho de enrolação?

Se Alice era o tipo de pessoa que investiria seu tempo em algo incerto (mas que pudesse lhe trazer algum benefício, mesmo que pequeno), então Alana era o oposto – só tentaria algo diferente se pudesse provar que aquilo valeria realmente a pena. Isso exigia um extenso planejamento, análises de diversos pontos de vista e algum tipo de garantia. Graças a esse método, depois de três meses de concluir que relações românticas estavam fadadas à incertezas, erros e investimentos de recursos nem tão aproveitados, agora distanciava-se cada vez mais de pessoas, esquivava-se de conversas sem um objetivo explícito e preferia, em geral, ficar em casa.

Sim, isso que é levar tudo a sério. Não havia margem de exceção nos planos que ela fazia para não ver pessoas que pudessem falar com ela – fosse ex-amigo (Marcos), ex-namorado (Fernando) ou apenas algum vizinho.

Mas… Nem sempre os planos vão sair como na situação ideal. Nesses casos, resta ter um pouco de flexibilidade.

12e_ql_larg_reallyverysmlAlana, ao ouvir isso, me responderia (em situações normais) com “eu não sou ginasta para ser tão flexível assim”. Porém, uma semana depois do evento entre Alice e Fernando, após um dia exaustivo de aulas, ela não estava com um humor tão positivo assim, então preferia apenas ignorar a voz irritante que dizia:

— Não precisa ficar de mau humor, Laninha… Embora você seja bonita mesmo quando está bravinha assim. — Marcos tentava animar (sem sucesso) a garota por quem nutria interesse.

Ao invés de dar alguma resposta bem mais fria (como, por exemplo, “Sério? Eu acho que você precisa de óculos mais do que eu.” ou “Sou bonita mesmo quando estou com raiva? Que bom, pois você não é bonito nem quando está super feliz!”), Alana preferiu suspirar, resmungar um “Tá, que seja” e contar mentalmente até 100 com uma casa decimal (ou seja, 0,1, 0,2, 0,3… ). Mesmo depois de se livrar do sujeito, manteve a contagem. Estava quase no 11 e já sentada tranquilamente na janela do ônibus, quando uma garota sentou no banco vazio ao lado dela. Isso não foi tão relevante até que a garota resolveu puxar conversa:

— Quase que eu não te reconheci, Alana. Já faz algum tempo que anda difícil conversar com você. Como está?

Não era ninguém mais, ninguém menos, ninguém multiplicação, ninguém divisão (uma pessoa dividida é meio macabro…) do que Alice.

12e_ql_larg_reallyverysmlA primeira reação dela foi de irritação – “Caramba, a última coisa que eu gostaria que acontecesse é que alguém fosse conversar comigo!”. Depois, após reconhecer a interlocutora, ficou bastante incomodada – “E justamente essa garota, a quem eu preferiria nunca ter conhecido!”.

Antes que ela pudesse pensar na possibilidade de descer e evitar o confronto (mesmo que pudesse acabar encontrando Fernando ou Marcos de novo), o ônibus partiu. Restava suportar a companhia que ela não teve a possibilidade de escolher.

— Sei que pode ser irrelevante para você, Alana, mas estou consideravelmente bem. Já que temos tempo até chegarmos ao bairro, então podemos conversar sobre qualquer coisa, não é?

Alice estava tranquilamente animada, sem se abalar com a indiferença e a frieza da resposta de Alana (que, só para constar, olhava para a janela sem um pingo de felicidade):

— Não tenho o que conversar com você. Se pegou esse ônibus só por causa disso, perdeu seu tempo e seu dinheiro da passagem. — NOSSA, ESSA FOI FORTE!

— Não temos o que conversar? Por que pensa assim, Alana? A partir do momento em que conhecemos um pouco uma à outra e temos algum assunto em comum, qualquer diálogo pode ser desenvolvido. Não é uma perda de tempo.

— Mas, para mim, é um incômodo.

— Que motivos você tem para pensar dessa maneira, Alana? Ainda me culpa por um problema ou outro que você, por acaso, levou muito a sério?

— Se você não leva os seus problemas a sério, nada posso fazer. Porém, intrometer-se nas minhas relações pessoais, passar meu número para qualquer pessoa e pensar que isso tudo é divertido me parecem bons motivos.

— Todos estes são bons motivos para você não gostar de mim, Alana, além do seu ciúme. Porém, não gostar e não querer conversar são coisas diferentes.

— Pelo jeito, alguém te abandonou hoje, para estar tão a fim de ficar tentando.

— Na verdade não… Neste momento, eu poderia estar fazendo qualquer outra coisa, mas eu estou aqui contigo, simplesmente por ter encontrado esta oportunidade de te encontrar.

12e_ql_larg_reallyverysmlSeria romântico… Desde que Alana não estivesse tão brava. Alice, por algum motivo que só ela deve saber, disse a próxima frase em um tom sussurrado:

— Se você me vê como um problema, então deveria apostar nesse evento de hoje como a solução. Tem algumas coisas sobre você que só eu sei, então confie em mim, Alana.

“Isso soou muito estranho. Muito mesmo.”

— Como você vai saber alguma coisa de mim, se mal me conhece? Por que quer tanto falar comigo? Vai me fazer alguma diferença?

— Depende do quanto você levar esse encontro a sério, Alana. Se você pensar, tudo o que acontece tem influências em seu mundo, tanto positivas quanto negativas. Porém, cabe a você decidir se vai interpretar algum evento como bom ou mau.

— Falou muito, mas não disse nada de interessante até agora.

— Se eu fosse o Fer e estivéssemos conversando em algum dia qualquer meses atrás, tenho certeza de que você não estaria nessa monotonia e desviando o olhar dele.

— Talvez seja porque várias coisas mudaram nesses últimos meses, se você não percebeu. Não é ele que está mais ao meu lado. — Com frieza na voz, Alana pensava como é que o nome (ou melhor, o apelido ridículo) do ex-namorado foi citado.

— E por que ele não está mais ao seu lado?

— Por que quer saber?

— O que é irrelevante para você pode não ser irrelevante para mim, Alana.

— De novo, está querendo se intrometer em meus problemas?

— É por isso que você poderia levar esse momento mais a sério. Já não se trata mais de um problema só seu, mas sim… Nosso.

12e_ql_larg_reallyverysmlComo se conversar com uma pessoa de quem não se gosta já não fosse incômodo suficiente para Alana, Alice colocou suavemente a mão sobre a perna dela (depois de quase vermos cenas +18 ali em cima, não fica estranho ter um pouco de provocação yuri). É lógico que isso não foi um gesto agradável para a garota, que virou um tanto nervosa para a “assediadora”:

— O que é que você está pensando!?

— Finalmente resolveu me encarar, Alana? Pelo visto, agora levou o estímulo a sério, o suficiente para que eu pudesse rever seus olhos… Espero que o Fer algum dia tenha dito a você que eles são lindos.

— Você não respondeu a nenhuma de minhas perguntas. — Alana, sem um pingo de tolerância, empurrou para fora da superfície do seu corpo a mão invasora — Vai ficar brincando, desperdiçando esse tempo, ou vai dizer alguma coisa que preste?

— Depende — Os lábios de Alice se curvaram naquele já costumeiro sorriso travesso — O que você quer saber? Por enquanto, ainda temos tempo para vários assuntos.

— Então, faça o favor de dizer objetivamente, com poucas palavras, o motivo de você estar sentada ao meu lado agora. — “Não tem como ela desviar da resposta!”

— Sabe, Alana, certas coisas não podem ser explicadas de maneira tão superficial assim.

A garota, frustrada, usou todo o seu autocontrole para não estapear a cara de Alice de novo. Apenas fechou os olhos e suspirou, recomeçando a contar até dez com uma casa decimal.

— Porém, dessa vez… — Alice continuou, e o “porém” fez Alana ter um pouquinho de esperança de que teria uma boa resposta — Até posso definir este evento em algumas poucas palavras: vontade de te conhecer melhor.

— E por quê? — “Estou começando a achar que essa daí está a fim de mim”.

— Quando você começou a conversar com o Fer, antes de namorarem, foi por algum motivo específico? Tenho quase certeza que não. Foi apenas por terem supostos interesses em comum, e por você poder aproveitar seu tempo com alguém que não fosse tão chato de lidar. Dessa mesma maneira, eu acho que não preciso de algum motivo para querer interagir com outra pessoa – só preciso de um pretexto.

— E cadê esse pretexto? Só vejo você me enchendo o saco.

— Um reencontro no ônibus não é o suficiente, Alana? Está esperando demais de um encontro ocasional, aleatório. Ou, por um acaso, seus cálculos perfeitamente planejados também preveem esse tipo de ocorrência? — Alana, essa garota está tirando sarro de suas capacidades na área de exatas (eu, como alguém que deveria ser da área de exatas, também deveria estar ofendido). — Agora é a hora que temos de deixar as desavenças de lado e descobrirmos os reais motivos de essas desavenças existirem. Se sou um problema, então… Resolva-me.

12e_ql_larg_reallyverysmlAlana já tinha problemas o suficiente para resolver (por exemplo, prova de biologia e educação física), e preferia ficar longe de seus velhos relacionamentos. Isso incluía “preferia não ter me encontrado com essa garota”.

— Depois de meses, você ainda acha que é relevante? Eu não me importo com você, e o que precisava resolver já resolvi após terminar aquele namoro.

— Você pensa que resolveu, Alana. Justamente você, que parece sempre encarar os conflitos de cabeça erguida, fugiu desse problema exatamente quando disse ao Fer que queria terminar. Eu não sei o que você disse, não sei o que você pensou… Na verdade, eu nem sei por que vocês começaram! Então, é a partir desse ponto que devemos levar a sério.

— Hã? O que quer dizer?

— Para o Fer, ainda não acabou. Ele teve a chance de alterar o próprio caminho e rejeitou. Ele sempre pôde ver o outro lado, o outro caminho, mas permanece parado no ponto onde você o deixou. É por isso que eu queria te conhecer… Saber os motivos que te levaram a um namoro. Justo você, uma pessoa que parece evitar relações de afeto com qualquer pessoa…

— Eu evito pessoas que me incomodem, e só.

— Então, sou uma pessoa incômoda?

O súbito desvio de olhar de Alana respondeu com sarcasmo: “nãaaaaao, você é tão amável que eu adoraria ficar com você o resto do dia… Não, melhor: pelo resto da minha vida!”.

12e_ql_larg_reallyverysmlAlice apenas deu uma risadinha e comentou:

— Ou seja, começou a namorar com a primeira pessoa que pareceu legal e conversou com você. Ou melhor, você conversou com ele, viu que era mais legal do que aquele garoto meio largo e meio loiro, e por isso apostou nessa relação. Depois de quatro meses, parece que consegui minha primeira resposta.

Alana não fez comentários. Simplesmente queria ficar em paz.

— Um pouco de conversa não precisa doer tanto, Alana. Não precisa ter tanto receio de falar sobre você para quem realmente se importa contigo. Eu me importo, então estou aqui.

— E daí? Desde quando algo que eu faça ou deixe de fazer afeta sua vida?

— Querendo ou não, no seu mundo particular não é só você que cria eventos, e suas ações podem acabar afetando outros mundos. Eu já sabia disso quando decidi mudar meu mundo há algum tempo atrás, e agora sigo a corrente que se formou com minha decisão. Você agora é parte do meu mundo, e eu sou parte do seu. Nesses mundos em que só se vive uma vez… Qualquer mudança é mais incrível do que parece.

Alana não entendeu parte alguma do último parágrafo, mas achou que o último trecho (aquele que diz que “uma faz parte do mundo da outra”) tinha alguma mensagem subjetiva não-heterossexual. Porém, Alice não ligou para esses pensamentos e continuou:

— Consequentemente, isso também inclui o Fer. Afinal, foi por causa dele que nos conhecemos, mas… Quero que pense: o que você sentia por ele? O que acha que ele sentia por você? E se ele, de repente, dissesse a você que ainda existe alguma coisa ligando vocês dois?

— Não há…

— No seu mundo, a partir do momento em que essa relação não esteve mais tão interessante, não há. Mas, que tal ouvir o mundo alheio, como eu já te aconselhei? A grande verdade é que você ainda afeta o mundo do Fer sem saber, e isso não é tão irrelevante quanto parece.

— Talvez seja a partir do momento em que estamos afastados há vários meses.

— Então você não entendeu o que eu quis dizer agora há pouco, Alana. Suas ações afetam várias pessoas, e qualquer pessoa pode afetar sua vida, querendo você ou não. Isso inclui o Fer e eu. Se quer uma prova… (lá vem…)

Alice, num gesto leve, fez Alana virar o rosto, encarando-a – tremendamente próximas.

— Tudo depende de como você interpretar isso. Se quiser levar a sério…

Para Alana, foi uma surpresa inevitável tanto o que veio antes quanto depois das palavras sussurradas (enquanto isso, vocês já devem imaginar o que será, então nem vou explicar).

12e_ql_larg_reallyverysmlE então… O que você quer fazer agora?

Você sabe?

Se não sabe… Posso te ajudar a descobrir.

Afinal, a vida é muito curta para que fiquemos assim, tão surpresos.

Ou melhor: a vida é muito curta para que levemos tudo tão a sério.

(Já perto do desfecho, a estação muda de novo – ainda continua…)


by ClaMAN

P.S.1: Esqueçam a agenda antiga. Foi para o espaço. Segue abaixo a nova que, supostamente, não vai mudar:

Calendario_Publicacao_V3Ret

P.S.2: Eu sei, esse capítulo teve 8 páginas de NADA. Isso foi o que saiu depois de quase um mês escrevendo essa joça (tá certo, eu tive um pneumotórax no meio do caminho, meu atestado prova isso).

Autor: ClaMAN

Animes? Assisto, mas a maioria ou é de romance ou é de fantasia ou é de vida cotidiana. Jogos? Jogo, mas meu jogo preferido é um simulador de ônibus, e os outros não são populares. Livros? Li alguns e escrevo histórias (que parecem fanfics) de vez em quando. No resto do tempo, sou um estudante "normal" de Análise e Desenvolvimento de Sistemas (vulgo "Programação"). Prazer.

Comente por favor! Comment Please!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s