(12E) Anti cupido – Capítulo 9

E alguém roubou um namorado alheio por aqui… Nono capítulo de Anti Cupido!

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Anti Cupido

(Só para constar: o logotipo passou por uma pequena mudança)Terceira estação:
Por quantos amores superficiais se trocam poucos compromissos reais?


(Ler o capítulo anterior…)

Capítulo IX – Além do ponto

banned_download_proviO mês já começou com Leonardo sob um monte de água. Não foi chuva surpresa, tampouco um banho, muito menos alguma festa em que lançaram o garoto em uma piscina. Era Rafaela chorando no ombro dele.

E por que ela estava chorando? Bem, quando você é uma pessoa romântica, supervaloriza demais qualquer namoro (ou, pelo menos, talvez valorize). E, nessa supervalorização, saber que seu namorado estava aos beijos com uma amiga há um dia é a pior coisa que pode acontecer. Perder a amiga, perder o namorado… Para Rafaela, era tão triste que seria melhor estar morta.

E por que Leonardo estava oferecendo o ombro à garota aos prantos? Na verdade, ele estava jogando conversa para cima de umas garotas do primeiro ano, como era de se esperar, quando uma Rafaela extremamente carente chegou perto dele. Como ele ainda pensava em Rafaela como a garota mais bacana dentre as mais de oito mil que ****** (leia-se: conhecera) (e não queria dar uma de insensível na frente das calouras que tentava cativar), foi ouvir o que ela tinha a dizer.

E por que, dentre tantas outras pessoas que Rafaela conhecia, foi falar justo com a pessoa que menos parecia se importar com ela (depois do ex-namorado)? Apenas por causa da amiga, vizinha e irmã de consideração desta pessoa.

— Eu nunca pensei que a Laís fosse fazer isso comigo! — Rafaela repetiu pela quinquagésima vez, deixando cair mais alguns litros de lágrima sobre Leonardo — Roubar meu namorado, o doce Fred (nome genérico que só vai aparecer neste capítulo)19, que dizia todos os dias que eu era o amor da vida dele… Tá bom, eu sei que a Laís é mais atraente, principalmente quando arma o lado mais ativo-agressivo dela (para quem ainda não sabia, Rafaela também sente atração por garotas). Mesmo assim…

— Mas você não disse que ele, às vezes, ficava te ignorando, ou parecia meio chateado quando saía com você? — Leonardo tentava mostrar que o problema era com o ex-namorado dela (enquanto se sentia o cara mais friendzonado da escola).

— Sim, mas até que eu entendia… Qualquer um tem seus dias ruins, não é?

— E, se ele terminou assim, não sei se realmente estava a fim de você. — Afinal, todos devem concordar que terminar um relacionamento por mensagem de texto não é um gesto sensível, nem respeitoso, tampouco corajoso. Principalmente quando se leva em conta que a mensagem foi enviada poucos segundos depois de espalhado o boato de que Laís estava ** ******* (leia-se: passando o tempo) com ele.

— Então, isso eu também não entendo… Será que a Laís fez com que ele ficasse tão insensível? Porque… Eu nunca pensei que ela pudesse fazer esse tipo de coisa comigo! — E, de novo, vendo , Rafaela pôs se a chorar, já começando a criar um alagamento no pátio.

12e_ql_larg_reallyverysmlLeonardo, enquanto tentava acalmar a ex-ficante com tapinhas no ombro (pois, se ele desse tapinhas em qualquer outro lugar, poderia ter vontade de ficar com ela de novo, o que resultaria em uma situação que nos levaria de volta ao começo da história) e torcia sua camiseta (fan service para vocês, só que não), pensava em quem queria ajudar: à amiga Laís (que provavelmente fizera o que fez para livrar Rafaela de outro aproveitador de meia-tigela) ou à ex-ficante Rafaela (que não tinha culpa daquilo, tadinha). É claro que ele escolheu a que tinha mais chance de pegar. (levando em conta que a primeira era, até então, avessa à namoros e a segunda esperava por alguém que a amasse de verdade, a chance de uma noite com qualquer uma das duas era bem pequena.)

— Eu só acho que a Laís ficou com seu ex-namorado para mostrar que ele fica com qualquer uma. Ela não falou para você sobre isso?

— Ela falou, mas… Quando começamos a namorar, ele não parecia esse tipo de pessoa. Então, quando a Laís conheceu ele…

(E mais lágrimas jorraram).

— Porém… Se ele fosse uma pessoa direita, teria se recusado a ficar com a Laís, afinal… Ele estava te namorando.

Por um instante, Rafaela parou de chorar. Talvez a frase tivesse feito efeito, então era até melhor continuar:

— Se ele te amasse de verdade, não faria isso com outra garota, nem Laís, nem ninguém que não fosse você. Então, acho que é até melhor que vocês tenham terminado… Melhor do que ficar com mais alguém que não te ame.

Essa parte foi bem dolorosa para os dois, mas vamos ignorar isso.

— Está bem… Agora que você disse, acho que ele não gostava tanto de mim. (Rafaela, as pessoas não são tão boazinhas quanto você pensa!) Mas, mesmo assim, de tantas pessoas… Justo a Laís?

E o choro voltou a inundar o pátio – a água salgada já alcançava o joelho.

— Eu também não acreditei quando ela me contou, mas ela disse ter um bom motivo para isso.

— Desde quando alguém pode ter um bom motivo para beijar o namorado de outra pessoa? Isso me magoou, pois eu confiava muito nela! Se ela não fosse minha amiga, eu até poderia me apaixonar por ela!

— Rafa… Por um acaso, você já falou essas mesmas palavras diante dela?

— Hã? Não…

— Então é melhor nem falar. — Leonardo preferia ficar livre de um ataque de fúria homofóbica da amiga naquelas próximas semanas.

Ok… Mas ela traiu minha confiança, Leo! Pode até parecer que ela falou que o Fred era um cara não-tão-legal só para roubá-lo de mim, e isso não sai da minha cabeça!

— Bem, fique tranquila (e, por favor, pare de chorar antes que inunde a escola com suas lágrimas). Você precisa conversar com ela, para entender bem isso.

— Não quero.

— Por que não?

— É a Laís que tem que me procurar para se explicar. Não sou eu que sou a culpada disso. Não fui eu que roubei o namorado dela.

E a nossa vítima ingênua voltou a derramar suas tristes lágrimas pela escola ao relembrar da traição dupla, e Leo resolveu ficar quieto por ora.

12e_ql_larg_reallyverysmlDepois, ele voltou a falar quando viu Laís agindo como se o meio metro de água lacrimal não fosse tanta coisa. Segundo ela, era consequência inevitável da ingenuidade de Rafaela, que “achava que todos eram inocentes e bonzinhos”, e precisava “perceber a verdade do mundo”. Leonardo tentou argumentar:

— Você não vai mostrar essa “verdade do mundo” ficando com o namorado de outra pessoa, está bem? Simplesmente… Não faz sentido!

A resposta foi simples e objetiva, dizendo que, se Rafaela esperava ser “amada” por qualquer um, era melhor virar **** (leia-se: milionária). E ainda rebateu Leo quando lembrou que ele não era capaz de amar pessoa alguma. Por fim, a ladainha de sempre que o “amor verdadeiro” é pura ilusão.

12e_ql_larg_reallyverysmlSem querer mais conversa ou discussão, Leonardo foi sem demora para casa. Lá, encontrou uma pilha gigantesca de lição a fazer e a família com os ânimos beirando uma explosão colossal. Daí, engoliu o almoço e voou para bem longe de casa (nem levando o celular), voltando só tarde da noite para dormir.

No outro dia, ao chegar à escola, precisou enfrentar o problema na forma de uma garota robusta de cabelo negro curto com um piercing no lábio e outro na sobrancelha. Quase sempre essa garota estava de bom humor, exceto naquele momento. Pelo menos ela não estava chorando (pois aparentava ter passado o dia anterior todo aos prantos)…

— Eu fiquei te ligando ontem o dia inteiro, e nada! Eu pensei que você pudesse me dar apoio, ou pudesse conversar comigo… Mas, pelo visto, você também me abandonou!

Antes que Rafaela recomeçasse a chorar, Leonardo respirou fundo, ajeitou o penteado e disse, com todo o seu potencial conquistador:

— Eu estou aqui agora, não precisa se preocupar.

O potencial conquistador do garoto ajudou Rafaela a se acalmar (por trazer a sensação de que [estar] com ele era melhor… Não era à toa que ele a conquistara uma vez!), mas não a reconquistou (mesmo que ela ainda tivesse uma quedinha por ele, enquanto ele não quisesse algo sério não haveria nova relação). Porém, já cumpriu o propósito, então seguiremos.

12e_ql_larg_reallyverysmlEla não gostava do Fred!? Então… Por que roubou ele de mim? — Novamente chorosa e novamente no pátio, Rafaela não conseguiu entender como uma garota rouba o namorado de outra mesmo não sentindo nada por ele.

— Se eu te disser o que ela disse, você não vai ficar magoada comigo?

— Não…

— Então, ela disse que era para te mostrar que o mundo é cruel, que às vezes quem diz que ama não ama de verdade, e que esse cara só estava com você para não ficar solitário por muito tempo.

— Nossa, Leo… Magoou.

(Momento facepalm.)

— Só repeti as palavras dela.

— Bem… Não adianta ficar tão triste, não é? Acabou. — O primeiro sorriso (que não foi bem “aquele” sorriso) de Rafaela pós-término de namoro foi dado agora.

— Vai perdoar a Laís? — “Assim eu não preciso ficar acompanhando esse seu drama…”, pensou Leo.

— Lógico que não! Qualquer que tenha sido a intenção, não é certo ficar aos amassos com os namorados alheios! E, além disso, ela nem falou comigo ontem… Ela simplesmente não se importa mais comigo!

Para o bem do pátio da escola e das roupas dos alunos, o estoque de lágrimas de Rafaela estava vazio, então ela apenas fez uma carinha triste :( .

— Eu não sei se isso é verdade. Claro, ela não está muito gentil nesses últimos dias, tanto que anda discutindo com casais à torto e à direito, mas acho que é só uma fase. — “Espero que seja uma fase”.

— Mesmo assim… Eu vou esperar ela perceber que não fez algo bom para poder desculpá-la. E, enquanto isso… Eu fico aqui… Sozinha…

E lá foi Leonardo consolar a garota que teve nova ânsia de choro. Com as frases de sempre: “Você não está totalmente sozinha”, e “Um dia você vai encontrar alguém que te ame de verdade”, incluindo também uma tentativa de conquista com “Eu posso ficar com você quando quiser”.

A última não deu tanto certo para o coração já machucado da menina. Para ela, era um momento de incerteza e insegurança. Mas, como vocês devem saber, vai passar. Para Leonardo, o resto do dia foi de jogar conversa para cima das garotas (dessa vez, nas meninas do segundo ano)(já que ele, mesmo achando Rafaela legal, ainda não queria assumir algo tão sério quanto um namoro (leia o parágrafo seguinte)).

12e_ql_larg_reallyverysmlDepois dessas conversas, a vida seguiu até que normalmente. Leonardo continuou suas numerosas relações fugazes com garotas aleatórias nos fundos da escola (já que Rafaela praticamente pediu o garoto em namoro (sério) uns dias depois, embora o pedido tenha sido prontamente recusado). Rafaela ficou reclamando nas redes sociais sobre sua falta de sorte no amor e sobre pessoas aproveitadoras. E Laís ainda folheava ocasionalmente seu álbum de fotos de casais e ora ou outra rasgava cruelmente uma das imagens, deixando montes de papel fotográfico sangrando sobre a carteira. (E o tal do Fred? Esqueça ele, é alguém que nem vai mais aparecer na história.)

Só que, nessa normalidade toda, Leonardo não esperaria ver Laís de bom humor (claro, não era nada no nível de “saltitante sorridente cantarolando alegre dando bom dia para todos que via” – ela estava reclamando menos e com a cara menos fechada). Por alguns instantes, ele achou que trocaram Laís por uma cópia “normal”, mas descobriu estar enganado depois que ela o flagrou indo para trás da biblioteca e ficou dando-lhe sermões até tarde.

O motivo do mal humor reduzido era, como Leonardo teve a chance (ou a estranha oportunidade) de ver, a tentativa de seduzir um garoto aleatório (que, incrivelmente, para a surpresa do nosso protagonista pegador, estava funcionando tão bem que ele conseguiu ver que sua amiga era realmente atraente, coisa que não percebia há algum tempo (que ela era “só” atraente ele já percebia o tempo todo)).

Bem que dizem que as pessoas mudam quando se apaixonam, mas… Mudar tanto assim era exagero, tão exagerado quanto os amassos que esses dois deram dias depois.

Para não exagerar mais do que já exagerei em alguns pontos desse capítulo, vou parar por aqui mesmo… Senão, vai acumular muita coisa para explicar depois.

(Já perto do desfecho, a estação muda de novo – ainda continua)


ClaMAN

P.S.1: Eu sei, pelo título você achou que seria alguma coisa de ônibus. Haha, te enganei!

P.S.2: Essa história não atrasa.

P.S.3: Calendário geral das histórias (TÁ ACABANDO!)

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Autor: ClaMAN

Animes? Assisto, mas a maioria ou é de romance ou é de fantasia ou é de vida cotidiana. Jogos? Jogo, mas meu jogo preferido é um simulador de ônibus, e os outros não são populares. Livros? Li alguns e escrevo histórias (que parecem fanfics) de vez em quando. No resto do tempo, sou um estudante "normal" de Análise e Desenvolvimento de Sistemas (vulgo "Programação"). Prazer.

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