(12E) Me(us rece)ios – Capítulo 11

Penúltimo capítulo, onde era para os problemas começarem a ser resolvidos.

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Me(us rece)ios

(Só para constar: o logotipo passou por uma pequena mudança)Quarta estação:
Antes do fim, tudo explicado. Confie em mim, isso será perdoado.


(Ler o capítulo anterior…)

Capítulo XI : Dezembro e Janeiro banned_download_provi
Várias maneiras de jogar

Este é um jogo que depende dos sentimentos que existem entre três pessoas. Depende das atitudes que cada uma delas vai tomar. Depende de eventos iniciados por cada uma delas. E, entendidas as regras… Bem vindos ao jogo do romance!

12e_ql_larg_reallyverysmlEvento 0 (não leve à sério): Luta

Após o forte ataque desferido (no spin-off iniciado no capítulo cinco – para melhor compreensão, sugiro que o releia), uma nuvem de poeira tornava difícil enxergar o que havia acontecido. Depois de alguns segundos, porém, um vulto alto se via por trás da fumaça toda – Alice se erguia, vitoriosa, e caminhava para onde Fernando estava. Ao chegar, disse:

— Isso prova que o meu amor é o mais forte de todos. Sendo assim, não se preocupe mais com ela, Fer, pode se apaixonar só por mim agora.

Fernando não disse palavra alguma, apenas deixou que ela enxugasse suas lágrimas e, num gesto passional, o beijasse. Porém, o momento foi interrompido por uma outra voz:

— Sempre tendenciosa e egoísta… Fala como se já tivesse ganho a guerra inteira, Alice Felter.

A silhueta de Alana podia ser vista, embora cambaleante.

— Uma perdedora como você não tem o que discutir, Alana Sandrioz. Mal consegue se levantar e ainda acha que pode conquistar algo além da sua decadência?

— A sua derrota só depende de mais um passo meu. Quer apostar que ainda pode perder?

Alice lançou a ela um olhar de provocação como resposta. Então, Alana caminhou em direção a eles e, em um instante, lançou um raio de luz brilhante…

…Que fez Fernando voar para longe.

— COMO ASSIM? O QUE VOCÊ FEZ? — Alice não acreditou ao ver o garoto esperneando no ar e sumindo de vista.

— Fiz o mesmo que você fez comigo há muito tempo, Alice Felter. Afastei você de seu amor. Se você quer lutar de igual para igual… ESSA É A HORA!

— NÃO TE PERDOAREI, ALANA SANDRIOZ! PAGARÁ CARO POR ISSO!

— É HORA DE APRENDER SUA LIÇÃO DE UMA VEZ POR TODAS, ALICE FELTER!

E, esquecendo que estavam cansadas, partiram para uma sequência de ataques. Alana fez vários golpes, mas Alice conseguiu um combo especial. Alana recuperou parte do dano e conseguiu usar um especial depois de bloquear outros ataques. Depois, seguiram por um bom tempo nisso… Até que uma voz murmurou:

— Parem… De brigar…

Elas, já descabeladas, com as roupas rasgadas (fan service para vocês)(mas só um pouquinho rasgadas, para manter um mínimo de decência), pararam os ataques e olharam para um Fernando que acabara de chegar como se tivesse voltado de uma guerra (depois de ter sido lançado longe, era de se esperar).

— Depois dessa, eu não quero mais namorar nenhuma de vocês… Vou procurar alguém que me ame de verdade, que me respeite como eu devo ser respeitado e que não me faça voar pelos ares.

Fernando foi embora e deixou as duas lá, sentadas no chão após a notícia, olhando uma para a outra sem entender ao certo a situação. Depois, Alice disse:

— Alana Sandrioz, você perdeu.

— Você também perdeu, Alice Felter.

— Eu sei… E, quer saber? Que se dane ele, eu sempre gostei de você, Alana.

— Isso mostra como eu te derrotei mais de uma vez, Alice. Além de te conquistar, vou te rejeitar com o argumento de que sou hétero.

— Eu não me importo com isso. — Alice diz, passando a mão pelo rosto de Alana.

— Sabe, no fundo eu também não. — Alana sorri, correspondendo o olhar e aproximando-se de Alice, vendo a distância entre os lábios diminuir…

E assim acaba o spin off “Me(us rece)ios – A Batalha Final [Alternative]”. O resto é material para fanfics yuri (leia-se: amor entre garotas).

12e_ql_larg_reallyverysmlEvento 1: Definição de estratégias

Antes que você desista da história, caro leitor, respire fundo, tente acreditar que eu consigo escrever algo decente, ignore completamente o trecho anterior (que só foi inserido para eu concluir o spin off) e prepare-se para continuarmos a narrativa.

Já era sexta-feira e Fernando não conseguira executar sua estratégia de falar com Alana no terminal de ônibus. Fizera o possível para sair mais cedo da escola, esperando encontrá-la algum dia, mas o melhor (ou pior) resultado que conseguira foi encontrar Marcos (ou, como ele o conhecia, “garoto meio loiro e meio gordo que era meio amigo da Alana”) vagando por lá.

Só que, ao contrário do que Fernando esperava, o tal garoto só o cumprimentou (desinteressadamente) e nem quis manter uma conversa. É que, agora, Marcos enxergava o ex-namorado da ex-amiga não como um concorrente, mas sim como um perdedor, que (do ponto de vista (machista) dele) não foi bom o suficiente para manter o namoro e a namorada. Só restava fazer a garota ver que ele era melhor

Mas, no momento, não importa o estilo de jogo que Marcos vai seguir (na verdade, esse Marcos é aquele personagem que vai ** ****** (leia-se: se dar mal) no final da história e só está aqui para ocupar espaço). Vamos focar na próxima jogada de Fernando. Ele vai ligar para Alana? Ele vai até a casa dela? Ele vai esperar por ela na classe bem cedo na próxima segunda-feira? Ou ele vai deixar uma cartinha na mesa dela para que ela o procure perto dos jardins da escola, embaixo da cerejeira, onde ele fará sua declaração de amor?

Nenhuma dessas alternativas! Ele preferiu ligar para Alice e pedir alguns conselhos, enquanto voltava para casa no ônibus. Contudo, após um único toque de chamada, ele ouviu a voz dela de um lugar que não era o alto-falante do aparelho…

— Fer, não é assim que você vai tornar-se capaz de resolver seus problemas.

— Hã? — Ele se virou e encontrou a garota sentada no banco atrás dele, com um sorrisinho de “eu sabia que você ficaria surpreso”.

— Você poderia gastar esses créditos de várias outras maneiras, Fer… Mas sempre acaba escolhendo a opção que te traz mais segurança.

— Segurança? Não senti segurança, mas fiquei com medo… Parece que você sempre está me seguindo!

— Não confunda os eventos, Fer. Estou indo visitar uma colega, e nosso encontro prova que nossos mundos podem se encontrar, mesmo que por acaso, a qualquer momento. Venha, sente aqui comigo! — aproveitando que o ônibus ia esvaziando, ele aceitou o convite, esperando por comentários que o ajudassem.

12e_ql_larg_reallyverysml— Encontrar-se com a garota no terminal, essa foi a sua aposta? É válido, mas você não pode prever os movimentos dos outros jogadores a todo momento.

— Jogadores? Como assim? — “Não estamos em um jogo, Alice…” — Mas então, o que eu deveria fazer? Como eu vou encontrá-la?

— Se você esperava conselhos e informações, já aviso que eu não sou uma NPC, Fer.

— O que raios é uma NPC? — Fernando nunca foi fã de videogames.

(Já que Alice não vai responder, eu explico a quem não souber: NPC significa “Personagem Não Jogável”, e é aquele personagem figurante de algum jogo, que pode dar uma informação, ou vender alguma coisa… Mas nunca faz mais que isso.)

— Vá até minha casa e eu te mostro em detalhes. — Olhar malicioso…

— Dispenso o convite. — Desvio cuidadoso.

— Então descubra você mesmo… E lembre-se de não focar apenas em uma ideia, Fer. Olhe ao redor e lembre-se que, para algum evento decisivo acontecer, qualquer hora e qualquer lugar serve.

— Ah, tá… Espera, não entendi muito bem… — Estranho será o dia em que Fernando entender de primeira o que Alice fala, ou o dia em que Alice explicar suas ideias com clareza logo na primeira vez em que as transmite .

— Quer um exemplo?

— Só quero uma explicação. Olhem, ele aprendeu a lidar com a garota!

— Se o evento for um reencontro entre você e Alana, ele não precisa acontecer no terminal. Pode ser na escola, pode ser nesse bairro… E pode ser em qualquer hora. Então, não fique pensando em uma única maneira de revê-la, Fer. Ou melhor, não dependa de um único plano.

— Agora entendi…

— E, agora, vou descer. — Ela sorriu para o garoto, enquanto pegava a bolsa — Eu confio em você, Fer, então… Mostre do que é capaz. — Sem avisar, Alice roubou dele um beijo de despedida (Fernando podia não ter previsto isso, mas vocês deveriam ter imaginado).

— Alice! — reclamou o garoto pelo gesto inesperado.

— Não achou que eu iria te dar conselhos sem algo em troca, não é? Além disso, não ter tanta chance de ganhar não significa que já perdi — Ainda rindo, a garota foi embora, enquanto ele ficou levemente aturdido.

Bem, nesse tipo de jogo de romance, cada um tem seus métodos para conquistar os corações alheios…

12e_ql_larg_reallyverysmlPara Fernando, a teoria não parecia tão difícil. Ele precisava voltar a encontrar Alana e perguntar se ela, por um acaso, não gostaria de voltar a namorar com ele, já que ele ainda gostava dela. Porém, para conseguir chegar a esse nível, ele gostaria de ter a atitude de Alice e a coragem e certeza de Alana. Como ele era Fernando, esses dois atributos estavam ausentes de sua personalidade.

E para resolver isso? Simples, você faz o que você puder com o que você tem.

12e_ql_larg_reallyverysmlFernando queria fazer algo segundo seu estilo romântico, que era daquele tipo que acha que coisas românticas devem ser feitas e ditas (esqueça mensagens) cara a cara (esqueça telefonemas), ao vivo (esqueça fotos), com os dois no mesmo local (esqueça videochamadas). Também não queria aparecer na casa dela de repente (por achar que isso era muita perseguição). E não sabia como encontrá-la pois, na segunda-feira, acordou mais cedo e ficou esperando pela chegada dela no terminal durante meia hora (isso é que é obstinação…). Nesse processo todo, ainda se atrasou um pouco para a primeira aula.

Começou a achar que ela estava evitando encontrar-se com ele (o que não deixava de ser verdade, mas envolvia Marcos também), e perdeu a animação. Ainda mais com o fim das aulas e do ano letivo batendo à porta… Ainda tinha chances de virar o jogo?

12e_ql_larg_reallyverysmlEvento 2: Motivação

— Por quê esse desânimo? — Rafaela (para quem não se lembra: colega de classe de Fernando) perguntou, animada. — Estamos quase de férias, sorria mais!

— Eu sei, é que… Eu fico pensando no que eu sinto.

— Você… Está sentindo alguma coisa grave? — A menina sentou-se na carteira da frente, preocupada com o amigo.

— Não, não é coisa de saúde, eu estou bem… O problema é com os meus sentimentos.

— Ah… Está gostando de alguém, mas não sabe o que fazer?

— É, mais ou menos isso.

— Você sabe se essa pessoa gosta de você? — nesse momento, Rafaela cochichou, curiosa: — Será que é aquela sua amiga, aquela alta e esbelta? Eu não hesitaria em ficar com ela.

— Não, não é ela… — Um ano atrás, até seria — eu estava pensando em falar com minha ex-namorada, talvez até voltar com ela…

— Ah, então é isso… Tem certeza de que é uma boa ideia?

— Não sei… Queria poder conversar bastante com ela, para saber se eu deveria pedir para voltar. — Assim ele teria uma certeza maior dos próximos passos.

— Foi você quem terminou ou foi ela?

— Foi ela…

A expressão que ela fez não parecia tão animadora.

— Se a pessoa termina o namoro, dá a impressão de que não estava se sentindo confortável em mantê-lo. Nesse caso, acho que você precisa descobrir qual era o problema, e mostrar que mudou, ou talvez o melhor seja partir para outra, se não tiver jeito…

— Vai ter jeito sim. Tenha confiança nas suas crenças. — Atrás de Fernando, uma voz sonolenta comentou isso.

— Mili, acordou só para se intrometer nos nossos assuntos? — brincou Rafaela.

— Não. Acordei para saber se já é hora de ir embora e ouvi vocês. — Lígia Mili (nome genérico que, mais uma vez, apareceu aqui), a garota dorminhoca preguiçosa (não adianta riscar, é a verdade…) continuou, enquanto esfregava os olhos ao encará-los. — Se o Nando (essa é outra que botou apelido no garoto) quer voltar com a Alana, ele tem o direito de tentar…

— Para quem vive sonhando, você sabe até demais, Mili! Queria conseguir ser igual a você… — Mesmo em tom de brincadeira, Rafaela realmente admirava Lígia. Tirando o fato de passar oitenta por cento do tempo na escola dormindo, ela era criativa, inteligente, bonita (e essa descrição, para uma personagem que só vai ter função agora, é totalmente irrelevante)

— Não tente. Não sou um bom exemplo… Que horas são agora?

— Nove e cinquenta. — Fernando respondeu à colega.

— Ainda dá tempo… Você pode encontrar a Alana na biblioteca, ela estava indo para lá, e eu ainda tenho duas horas de descanso.

— Hã? — Ele não conseguiu confirmar essa última informação: a garota voltou ao seu cochilo em questão de segundos.

— Sabe… — comentou Rafaela, sorrindo atrás dele (claro que ele não via que ela estava sorrindo, mas tenha isso em mente ao imaginar essa cena) — Acho que eu também não hesitaria em ficar com essa daí. Esse jeito dela… Me atrai.

(Desfecho: duas semanas depois, Rafaela e Lígia Mili foram vistas aos beijos atrás da biblioteca (e Fernando concluiu que estava cercado por lésbicas – afinal, já é a segunda referência yuri desse capítulo!).)

12e_ql_larg_reallyverysmlEvento 3: Declaração concorrente

Lembrando que ainda estamos no meio de um jogo romântico… O objetivo é conquistar (ou reconquistar) a pessoa amada. As regras variam, mas você pode pensar que depende de cada pessoa. O importante é não perder o bom senso e nem o respeito.

Claro, sempre tem aqueles que nem sabem das regras. Nos piores casos, esses jogadores acham que estão acima de qualquer condição de jogo pré estabelecida…

— Laninha, te encontrei, finalmente!

Alana ignorou Marcos, que vinha apressado atrás dela, e fez menção de entrar na biblioteca. Porém, ele a alcançou e segurou-lhe o braço.

— Precisava te ver, e falar com você…

— Sua vida não depende de mim, e minha vida não depende de você, então não vejo… — Alana tentou escapar do aperto, mas o garoto, bem mais forte, a afastou da porta.

— Não, Laninha, você não entende como eu me sinto… Eu realmente gosto de você. Eu te amo! — Ele literalmente a arrastou até o corredor dos jardins que havia atrás da biblioteca.

— Se realmente gosta de mim, então deixe-me em paz. É o melhor que pode fazer para meu bem estar. — Digamos que Alana desistiu de fugir.

— Eu não sei como você não entende, mas… Eu não consigo mais ficar sem você. Desde aquele dia, no ano passado, eu quero namorar com você…

— Entenda: se eu gostasse de você, não estaria esperando por sua vontade e já teria dito isso a você. Sabe disso.

— Eu adoro o jeito que você fala quando está com raiva, Laninha… Precisamos nos ver mais, para você perceber que foi feita para mim, e eu fui feito para você…

— Se isso for uma brincadeira, chegou ao limite. — Alana já estava enojada, emburrada, mal-humorada e até um pouco amedrontada.

— Por que você não leva a sério? É o que eu sinto, é o que eu quero… No fundo, é o que você quer também, só precisa que eu te mostre. — Ele tentou demonstrar um ar romântico, mas falhou miseravelmente e ficou parecendo um bobão (o que não significa que, em situações normais, ele tivesse uma cara menos boba).

— Você quer saber o que eu realmente quero? Eu quero apenas que você me solte. Não imagina o bem que fará, se realmente gosta de mim.

— Quando a gente gosta de alguém, o melhor é ficar junto… Eu só quero uma chance, você precisa me dar essa chance…

O garoto parecia ter perdido a noção de “espaço particular” da garota, e aproximava-se assustadoramente.

— Você já teve a resposta, há um ano. Ela não mudou. Agora, me solta.

— Mas tudo pode mudar…

— Só porque pode não significa que vai mudar! Quer que eu te rejeite, Marcos? De novo? Então aqui vai: eu não vou namorar você! Afinal, você age de um jeito tão obsessivo que não permite que eu goste de você!

— Eu ajo assim por te amar, Laninha! Entenda isso, aceite isso! Nascemos um para o outro…

— Não. Não é assim que funciona. O amor não é tão lindo e não sou sua alma gêmea (ainda bem…). Se continuar assim, sendo chato e asqueroso, desrespeitoso e invasivo, nunca vai conhecer alguém que corresponda seus sentimentos e que você possa realmente chamar de “alma gêmea”. Afinal, por que você acha que as pessoas te evitam? Simplesmente porque você não enxerga que é um chato! Agora, me solte.

Marcos tinha no rosto uma expressão que mesclava raiva e tristeza.

— Você fala que sou chato, mas você, às vezes, não é tão delicada quanto eu imaginava… — Por sorte, ele afrouxou o aperto, e Alana se desvencilhou.

— A diferença é que eu sei que sou chata e indelicada, e sei a hora de parar quando vejo que vou perder. Ah, e claro… Eu aprendi a perder. — Antes de ir embora, ela olhou para Marcos com o olhar mais gelado possível (quase chegando ao zero absoluto). Isso que é desprezo.

(Detalhe que será explicado no próximo capítulo: Mesmo que, por enquanto, Marcos tenha se desiludido com Alana, ele disse a si mesmo que há de conquistá-la, por bem ou por mal.)

12e_ql_larg_reallyverysmlEvento 4: Conselho

“Só vou ver se pego aquele livro”, disse Fernando para se convencer. Ele queria saber se o comentário (sobre o sonho) de Lígia estava certo, e só saberia se fosse até a biblioteca e encontrasse Alana por lá. Para não ficar tão otimista, mudou o foco da atitude.

Ao chegar no prédio, não a encontrou (e também não conseguiu pegar o livro, que a mesma Alana emprestara há cinco minutos (passando por aquele evento com Marcos ou não, era o que ela foi fazer na biblioteca, afinal)). Pelo menos, a observação sonolenta de Lígia Mili, de alguma maneira, estava certa – foi só uma questão de tempo (e, se ele tivesse ido lá um pouco antes, será que teria encontrado-se com a garota? Ou até mesmo interferido na “confissão” (ou melhor, rejeição)? A resposta… Eu sei, mas não importa.

O que importa nessas tentativas, aparentemente aleatórias, é que Fernando e Alana não se encontraram pela escola naqueles dias. Ele tentava, fazia o esforço de passear pelo pátio entre as aulas, ficava na biblioteca nos intervalos…

Foi quando reparou que já não havia muito o que fazer na escola, após a maioria das provas serem entregues. Era sua chance de tentar rever a ex-namorada indo embora, junto com os alunos mais inteligentes das turmas (que já entravam de férias).

12e_ql_larg_reallyverysml— Por que ainda não transformou seu mundo, Fer?

— Que mundo, Alice…?

— Sua vida, seus sentimentos, seus relacionamentos. O que está ao seu redor, Fer, o que você hesita em mudar, como sua relação com Alana.

— Ah… Agora não dá mais.

Sentados em um banco do pátio, Alice e Fernando observavam o movimento escasso na escola. Uns alunos em provas de recuperação, outros em pequenos grupos de colegas jogando conversa fora. Enquanto ele estava ligeiramente chateado, ela estava sorrindo relaxadamente.

— Enquanto você ainda puder se expressar, nada é impossível de ser feito, Fer. Desde que sejamos tolos o bastante para seguir em frente. Quer um exemplo?

— Desde que não seja um beijo…

— Eu nem pensei em beijo, Fer — (“Mas não recusaria se você estivesse a fim”, pensou ela, dirigindo ao menino um olhar malicioso(2)) — Pensei naquele garoto que parece obsessivo por Alana. Tão obsessivo que pediu-a em namoro de uma maneira consideravelmente abusiva.

— Isso… É verdade?

— Se não fosse, não teria por que te contar. O que importa é que, mesmo sendo novamente rejeitado, ele foi tolo o bastante para tentar novamente. Às vezes, Fer, precisamos apenas deixar de pensar em estratégias e em jogadas. Lance o plano longe e aja conforme seu impulso.

— Eu não sou assim. Não sou como você, ou como a Alana…

— Não é sua personalidade que conta… Afinal, Fer, não foi alguma outra personalidade sua que conquistou a mim (e a Alana também, suponho). Você tem o direito de ser passivo (peço seriamente que vocês não riam), mas não o tempo todo.

Alice levantou-se e disse, de costas para ele:

— Certa vez, eu comentei que esperei por você. Às vezes, alguém pode estar esperando por uma atitude sua, talvez apenas um “bom dia” quando estiver passando perto dela… Ou talvez uma mensagem só para desejar “Feliz Natal”. Talvez a pessoa espere por mais, porém já não cabe a nós prevermos os sentimentos alheios. E imagine… Se você tivesse dito o que sentia por mim há um ano, isso tudo seria diferente. Bem diferente, Fer…

— Sim, seria… Mas já passou.

Alice olhou para ele, com os olhos levemente cerrados e um ar de curiosidade.

— Fer, você está satisfeito com isso? Tudo está diferente do que seria.

— Pois é…

— E é aqui que você queria estar? Foi essa a sua decisão?

— Não…

— Percebe o seu conflito, Fer? Seu mundo já mudou o bastante mesmo sem você querer. Se você achar que dá para continuar assim, eu sento novamente ao seu lado e fico ouvindo suas lamúrias. Senão, você deve arriscar. Lembre-se desse dia doze de dezembro de dois mil e doze (marquem bem, esse 12/12/12 é a primeira (e única) referência temporal de todo o Projeto Doze Estações) como o dia em que você transformou seu mundo após uma atitude. Pode ser que alguém ainda espere por isso, e pode dar certo…

— E se não der? — Fernando, pare de ser pessimista!

— Volte ao ponto salvo e tente outro caminho. Ou comece outro jogo diferente com outros personagens. Mesmo na nossa pacata vida cotidiana há espaço para isso, ou você acha que nasceu predestinado a ser rejeitado? Eu nunca te rejeitei, Fer… É só não se esquecer, estarei aqui.

— Isso foi outra declaração de amor? — Gosta de português e não entende essas figuras de linguagem, Fernando? Poser.

— Quem sabe… Entenda e aja do jeito que achar melhor para manter seu mundo, Fer. É só não se esquecer, estarei aqui.

Alice preferiu não dizer o início do refrão (Se você quiser alguém pra ser só seu…). Não faria mais sentido e não seria uma boa estratégia, concluiu ela, sorrindo tranquilamente.

12e_ql_larg_reallyverysmlEvento 5: Reencontro

Alice foi ao banheiro e disse para que Fernando a esperasse perto do portão da escola (nada mais a fazer por lá, então melhor ir para casa (cada um para a sua, por favor)). Ele ficou esperando e observando ao redor, até que, enfim…

O autor fez o acaso acontecer, e os uniu novamente.

Aquilo que parecia impossível aconteceu inesperadamente diante dele.

Nem Laís, a Anti Cupido, conseguiu desviar essa manifestação romântica digna de anime shoujo (leia-se: anime de romance).

Sim, Alana estava indo em direção à biblioteca. Depois de tanto tempo sem se verem, era hora de perceber as mudanças na aparência… Ou a falta delas. Mesmo assim, era um momento que merecia um fundo cheio de pétalas de cerejeira caindo mesmo sem cerejeiras na escola e cabelos elegantemente esvoaçantes mesmo em um clima de verão seco e sem vento.

Mesmo com todo esse clima, havia uns trinta metros (escolas são grandes, tá?!) de distância entre Fernando e Alana, além do fato de que ela era uma pessoa focada (e não ficaria observando abestadamente outra pessoa que não estivesse em seu campo de visão (principalmente por não conseguir reconhecer o ex-namorado daquela distância (três graus de miopia não é muito pouca coisa, ainda mais que ela abominava a ideia de usar óculos))).

Continuando… Até Fernando chegar à biblioteca, Alana já entregara o livro e já saía de lá. E foi uma pequena surpresa para ela revê-lo.

— Err… Oi. — Quem disse que o garoto sabia o que falar?

— O que você quer? — Ela, por outro lado, já sabia o que responder, embora o encontro trouxesse algumas lembranças que a deixavam hesitante.

— É que faz tempo que não nos vemos, e… Eu queria conversar…

Foi interrompido.

— Não sei se temos o que conversar…

“Talvez eu não precisasse responder assim.”, pensou Alana, com um pequeno remorso.

— Eu sei. Mesmo assim, eu fico feliz em te ver bem…

“Que droga, Fernando! Não é como se ela tivesse tentado se suicidar pulando de uma ponte! É lógico que ela está bem!”, penalizou-se ele.

— Você também, pelo visto.

Silêncio.

12e_ql_larg_reallyverysml— Se não tem mais nada a dizer… — Tem coisas que as pessoas só pensam. Alana fala essas coisas. Pois o que ela estava pensando, na verdade, era: “eu não preciso fazer isso acabar tão rápido. Ele não é como o Marcos.”

— Ah, espera… Só mais uma coisa, Alana.

— Diga.

Instante de hesitação de Fernando, graças à suas ideias sendo reorganizadas. “Será que eu deveria comentar sobre namoro com ela, nesse momento? Não sei quando vou encontrá-la de novo a partir de agora, então pode ser a última chance nesse ano. Só que… Ela parece meio brava. Alice disse que Marcos pediu ela em namoro de novo nesses dias, e… Eu não estaria sendo chato como ele se ficasse incomodando-a com isso? Está certo, é o dia em que eu posso… Ou melhor, deveria tomar uma atitude, mas… Pensando nela, não vou.”

Após mentalizar isso, Fernando tomou uma decisão meio honrável por ter um pouco de empatia para com Alana:

— Eu sinto saudades de quando a gente conversava toda hora… — E ele tentou apostar em algo que não a magoasse: — Se você não se importasse, talvez desse para irmos embora juntos, como antes…

— Minha mãe está vindo me buscar, então hoje eu não voltarei de ônibus.

Não foi exatamente uma rejeição, mas o garoto se magoou levemente. Está bem, foi várias vezes melhor (para ambos) do que se ele tivesse realmente pedido para voltar o namoro com ela. O problema maior (para ambos) foi a seriedade extrema dela…

O que fez Alana repensar em suas respostas duras. “Eu não precisava ter dito dessa maneira. Eu não precisava ter dito isso. Ele não é uma pessoa chata, não é irritante nem abusivo… Eu posso fazer um esforço para, ao menos, ser amiga dele? Relembrar o que me fez gostar dele não é tão difícil.”

E ela tornou a comentar, com um tom de voz menos agressivo:

— Contudo… Amanhã eu ainda venho à escola, e nada impede um reencontro por aí.

O garoto, que já abaixara a cabeça em resignação, agora já perdia parte de seus receios iniciais. Mesmo que não fosse falar de relacionamentos românticos, uma conversa normal já seria alguma coisa.

12e_ql_larg_reallyverysmlQuando temos um jogo romântico entre três pessoas, uma delas vai, necessariamente, perder (a não ser que realmente vire a “amante” (leia-se: amizade colorida)). Esse é o motivo para o fato de Fernando não ter encontrado Alice (ou melhor, ela não o procurou) depois do evento do reencontro com a ex-namorada, nem nos dias seguintes.

Considerando que eles não tardaram a entrar de férias, não era algo tão incomum. Como Fernando não era tão extrovertido, não sentia tanto a falta da presença dela (ainda mais depois de voltar a ter um contato mínimo com Alana durante o mês de férias). Mas, conhecendo Alice… Era estranho.

Preveja novas jogadas em breve… Ainda não acabamos este jogo.

(Continua…)


by ClaMAN

P.S.1: Atraso = sem agenda no rodapé.

P.S.2: Daqui a menos de dois meses tudo isso acaba.

P.S.3: Estão sentindo falta de postagens aleatórias? Aguardem pelas férias de julho… Talvez.

Autor: ClaMAN

Animes? Assisto, mas a maioria ou é de romance ou é de fantasia ou é de vida cotidiana. Jogos? Jogo, mas meu jogo preferido é um simulador de ônibus, e os outros não são populares. Livros? Li alguns e escrevo histórias (que parecem fanfics) de vez em quando. No resto do tempo, sou um estudante "normal" de Análise e Desenvolvimento de Sistemas (vulgo "Programação"). Prazer.

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