Momento história: Proclamação da República

Um resumão de como foi a Proclamação da República dos Estados Unidos do Brasil, há 128 anos.

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Em 1889 (ou seja, há 128 anos), o Brasil deixou de ser “Império do Brasil” (ou “Império do Brazil”, conforme escreviam no século XIX) para se tornar “República dos Estados Unidos do Brasil“.

Está bem… E daí? O que isso significou? Qual a diferença entre monarquia e república? Porque Brasil se escrevia com Z em vez de S no século XIX? Bem, isso tudo (ou quase tudo) será estudado agora, no nosso Momento História (escrito por um cara que não via graça em aulas de história até os 15 anos).

Na época em que fotos eram quase inexistentes, o jeito era acreditar nas histórias e fazer pinturas sobre elas. Proclamação da República por Benedito Calixto – Óleo sobre tela, 1893, 123.5 x 200 cm.

Começamos no Brasil Império, de Dom Pedro I e, depois de um período de transição porque o imperador abandonou o Brasil e o príncipe tinha só 5 anos, de Dom Pedro II. Só que, lá para 1870, já não era mais um império tão imponente. Os escravos queriam liberdade, os fazendeiros queriam escravos, os militares queriam atenção do governo, a Igreja Católica queria que o imperador parasse de se achar seu dono e, além de tudo isso, muita gente tinha lido e visto muita coisa estrangeira e achava que a pobreza e a crise do país (sim, desde o século XIX conosco) era culpa do imperador.

Republicanos na Convenção de Itu, 1873. Não me pergunte quem é quem.

Começaram, então, a surgir movimentos clamando pela república. Alguns queriam pegar armas e ir à luta (nota: essa mesma ideia deu errado 43 anos depois), outros queriam chegar de maneira pacífica. O objetivo era o mesmo que muitos políticos modernos ainda usam: um país unido, que garanta direitos para todos (que tenham dinheiro) e seja economicamente forte.

13 de maio de 1888. Acha mesmo que um fazendeiro da época ia ficar tão feliz de ver sua mão de obra gratuita indo embora?

Sendo o Brasil, essa ideia demorou para vingar. Só que, novamente, sendo o Brasil, assim que surgiu mais gente influente (leia-se: endinheirado$) e importante (incluindo fazendeiros com raiva da Lei Áurea (fica pra outro Momento História) que queriam se vingar da monarquia que libertou toda a força de trabalho deles sem pagar indenização por isso), o movimento ganhou força.

Quem que mais levou essas ideias de tirar o imperador (pessoa de família nobre, que “ganhou” o trono de seu pai ou ancestral comum e se acha o máximo) do trono e botar um tal de presidente (pessoa de família não necessariamente nobre, que foi eleita pelo povo e só fica alguns anos no poder)  no lugar?

Duvido que essa foto de militares de 1870 seja realmente de militares e tenha sido tirada em 1870, mas é só para ilustrar.

Militares, os “defensores da moral pátria brasileira”. Enquanto ministros podiam falar o que quisessem e fazer o que quisessem enquanto ganhavam pra caramba só pra serem puxa-sacos do imperador, militares eram obrigados a ficar quietinhos, sem participação política, só obedecendo ordens desses mesmos ministros. Chegou a hora de parar de apoiar um regime que não ligava para eles (ou seja, cansaram de ser ignorados pelo crush).

Marechal Deodoro. Para quem não sabe, Marechal é um título militar.

Como fazer, então, a estabelecida monarquia (estava ruim, mas ainda funcionava) tornar-se república? Já que não dava por meios legais, decidiram fazer um golpe de estado. Para isso, fizeram o marechal Deodoro da Fonseca, um monarquista de carteirinha, acreditar que sua amada monarquia (ou o Visconde de Ouro Preto, algo como “primeiro-ministro” brasileiro) tinha decretado sua prisão. Pior ainda foi descobrir que seria escolhido um novo “primeiro-ministro” e era ninguém menos que um cara que roubou uma moça que ele gostava. Bem, às favas com a monarquia.

Bandeira do Brasil República, que durou de 15 a 19 de novembro de 1889. Qualquer coincidência com a bandeira dos EUA é mera semelhança.

Então, no fatídico dia 15 de novembro de 1889, acordaram Deodoro (que estava meio doente, ainda por cima) e falaram que já era dia de transformar esse país numa república. Então, junto com um monte de soldados (tanto que o povo pensou que era uma parada militar), chegaram no Paço Imperial, mandaram prender o Visconde de Ouro Preto e proclamaram a República. Depois, no outro dia, o povo descobriu que era o próprio Marechal Deodoro que comandava o Brasil (agora como presidente!), D. Pedro II foi notificado e saiu de fininho para a Europa.

O que aconteceu depois? Bem, os militares ficaram no poder e tiveram apoio dos fazendeiros e latifundiários (ou seja, o “povo” para quem sempre governaram). O povo mesmo nem sentiu mudança e continuou sem entender o que aconteceu, como sempre.

E assim são as trocas políticas nesse nosso Brasil. Qualquer semelhança com a atualidade é por culpa de quem não sabe história.

Para encerrar: Praça da República, no Rio de Janeiro, onde (supostamente) foi proclamada a República há 128 anos.

ClaMAN

P.S.: Próximo momento história: provavelmente só no ano que vem. Carnaval, talvez?

P.S.2: Aguardem por mais umas 2 postagens esse mês.

Um Dia das Bruxas no Brasil atual

Bruxas? Doces ou travessuras? Abóboras? Nada disso – aqui é Brasil!

Gostosuras ou travessuras? Hoje é Dia das Bruxas, o dia considerado por alguns como o mais assustador do ano (outros já consideram que dias assustadores são os dias de resultados de provas, dia de recebimento de contas, e por aí vai). Fantasias de criaturas horripilantes, abóboras e decorações aterrorizantes, além de doces (ou travessuras) completam o cenário para mais um Halloween.

Olha essa decoração. Bem halloweenesca, não é?

Claro que isso é só nos EUA e outros países com essas tradições. Nossa tradição brasileira (que tentou chamar o dia de hoje em Dia do Saci) faz uma ou outra festinha à fantasia, uma ou outra promoção “monstruosa” e várias críticas de religiosos a uma data aparentemente ligada ao satanismo. Ou seja, mais um dia comum.

Mas somos brasileiros, afinal – e isso inclui nossa capacidade de zoar qualquer coisa! Incluindo nossos políticos e governantes…

Temos um presidente vampiresco que hora ou outra suga o sangue e os direitos de umas pessoas…

Daria um bom vilão de filme de terror.

Temos uns ministros federais que às vezes nos assustam com suas declarações e aparência (e também pela roupa que parece capa de bruxo)

Outro que daria um bom vilão.
BU!

Não poderíamos esquecer também de cada notícia que nos atinge com um susto e um terror estremecedor…

Essa é pra matar… Com facadas sucessivas no bolso.

Como essa postagem ficou mais assustadora do que eu pensei… Melhor parar por aqui. Antes que alguém realmente morra depois de tanto susto.

ClaMAN

Agradeço ao Sensacionalista pela inspiração.

P.S.: Deveria ter colocado um aviso sobre conteúdo aterrorizante.

B Ô N U S :

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31 de Outubro e mais seres sobrenaturais (de animes) que parecem crianças

Criaturas sobrenaturais, muitas delas com mais de um século de vida… Mas com carinha de crianças! Só em animes…

Hoje é o Dia das Bruxas, ou Halloween (para os gringos)!

Nada melhor que uma imagem de Marisa Kirisame, feiticeira de Touhou, como representante do dia de hoje. Arte por Chiroru (Cheese-roll)

Nos EUA, principalmente, hoje é dia de crianças se fantasiarem de fantasmas, bruxas, vampiros, monstros e outras esquisitices para pedirem doces por aí. Como eu já disse (e não terminei) em outra postagem, mesmo que os japoneses não pareçam ter essa mesma tradição, tem inúmeros casos de seres sobrenaturais representados com aparência infantil em animes, mangás e afins. Muitas vezes, esses personagens na verdade já tem mais anos de vida do que a Guerra dos Cem Anos (que durou 117 anos). Vamos ver mais 3 deles (ou delas, melhor dizendo):

Krul Tepes – Owari no Seraph

Pose e circunstância. Arte por Manami Tatsuya.

Assim como as três anteriores, ela também é uma vampira. Também parece uma garota pré-adolescente (mesmo que sua idade seja estimada em mais de 1200 anos (segundo a Wiki)). Também é orgulhosa e sente-se superior (embora ela tenha razões para ser superior: no mundo de Owari no Seraph, ela é a vampira rainha do Japão (após um vírus que matou muita gente e tals)). (Será que tem algum motivo para vampiras serem retratadas como garotas pré-adolescentes? Isso é um assunto digno de postagem futura)

Naruse Maria – Shinmai Maou no Testament

Parece uma garota adorável… Arte por Nozomi Tsubame.

Essa carinha inocente e aparência de menina recém saída da infância, na verdade, é só disfarce para uma demônio (para ser mais específico, uma súcubo), com a mente mais pervertida que muito personagem de anime harém por aí. Ela vive provocando e incitando os personagens da história, e não perde oportunidade para usar suas magias e contratos (eróticos na maior parte do tempo) (e ainda filma os “processos”).

Higashihongan Sanae – Rokujouma no Shinryakusha!?

Uma companheira de quarto do além. Arte por Peeyu.

Um jovem estudante consegue alugar um pequeno apartamento por um preço bom até demais. O problema é que ele não demora muito para descobrir que o quarto dele é assombrado por essa fantasma aí de cima, que quer a todo custo que ele (ou qualquer outro inquilino) saia daquele local (depois eles viram amigos). Fora isso, uma sacerdotisa de uma tribo estranha, uma alienígena e uma garota mágica também estão de olho no mesmo quarto, mas aí passa de assombração para harém.

Essas são só algumas personagens… O mundo dos casos em que as aparências enganam é muito mais vasto.

ClaMAN

P.S.: Daqui a pouco tem mais Halloween. Sem ser de anime.

B Ô N U S :

Bakemonogatari de novo (aproveitando que o assunto é fantasmas): essa é Hachikuji Mayoi, uma assombração “perdida” (assista para entender). Seu passatempo preferido é falar errado (sem ser de propósito) o nome do protagonista. Arte por Ogipote.

Dia das Crianças e Doces para Crianças

Doces e crianças: sempre andam juntas por quê?

Criança feliz, feliz a cantar, alegre a embalar seu sonho infantil…

Hoje, 12 de outubro, é (ou foi) dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil (ou seja, montes de pessoas foram em romaria para Aparecida do Norte, SP). Esse dia é feriado desde 1980 (por causa de Nossa Senhora) mas, em um país cuja população católica vem caindo (57% em 2013), todo mundo acha que a razão do feriado é outra: o dia das crianças, instituído em 1924.

Enfim, vamos falar de crianças (afinal, eu tento agradar os leitores, independentemente da religião). E, como visto na imagem no topo da postagem, doces parecem ter tudo a ver com crianças.

Crianças podem ser mais associadas a doces, mas isso é delícia pra qualquer idade.

Coisas doces são apreciadas já pelos mais novos (bebês), então o vício interesse começa aí. Dão energia pra caramba (carboidratos). Liberam hormônios da felicidade (principalmente chocolate – quer coisa melhor que chocolate?). Para seres pequenos que só sabem gritar, rir, brincar, comer (e dormir quando a energia acaba)

Não dê café para essa menina. A humanidade agradece.

Afinal, para qualquer pessoa com menos de 13 anos de idade, a vida ainda é (e deveria ser) doce. Problemas (cáries, obesidade infantil, diabetes) podem (mas não devem) ficar para depois. O que importa é ser feliz.

Então, se você é uma criança (ou pensa como uma) (ou se comporta como uma), aproveite umas balinhas (amanhã, porque agora (23:50) está tarde e é hora de boas crianças estarem na cama) e uns bombons (mas com moderação, para evitar problemas mais tarde (repito: cáries, obesidade infantil, diabetes).

Nota: esses meninos escovaram os dentes depois de chupar esses pirulitos.

Aproveite o (que sobrou do) Dia das Crianças, e que Nossa Senhora Aparecida te abençoe (seja você católico ou não).

ClaMAN

P.S.: Postagem em cima da hora só para animar o blog que anda bem parado.

B Ô N U S :

Oshino Shinobu, de Bakemonogatari. Arte de Lucknight. Mais sobre ela amanhã, mas já adianto que ela não é bem uma criança (por idade), mas adora donuts.

Momento história: A Independência do Brasil

A história da Independência do Brasil como você aprendeu… E a que você não sabia.

Sete de Setembro, data tão festiva, foi a independência dessa terra tão querida… Hoje (feriado emendado, por sinal) é a comemoração de 195 anos da proclamação da Independência do Brasil, que foi feita por Dom Pedro I em 7 de Setembro de 1822.

Ok, mas… Por quê independência? De quem? O que aconteceu? Se você está pensando nesses “por quês”, hora de ler nosso Momento História de hoje (explicado por um cara que nem sabe de história o suficiente além das que ele (acha que) escreve).

*vinheta de introdução (se isso fosse um vídeo)*

A Independência do Brasil como eles queriam que você pensasse que foi. Quadro “Independência ou Morte”, por Pedro Américo, 1888, óleo sobre tela, 415 x 760 cm.

Essa história começa pouco mais de dois séculos (+ de 200 anos) atrás (um pouco depois que Tiradentes morreu). Para ser mais exato, em 1808. Até então, o Brasil era só uma colônia que Portugal só lembrava na hora de levar embora ouro e impostos, mas chegou um dia que Napoleão Bonaparte estava invadindo tudo na Europa. A solução óbvia para a Corte Portuguesa? Fugir para a “colônia” (Brasil) com todas as riquezas e as pessoas importantes (15 mil) e estabelecer aqui a Coroa, com um financiamento inglês (e quem acabou devendo pagando foi o Brasil, já independente) e largando os portugueses indefesos lá mesmo.

Nobreza é nobreza, não importa a época nem o local. Na calmaria estão por cima, na hora do aperto se escondem e inventam desculpas…

Por aqui, invadiram casas no Rio de Janeiro (“Teria a honra de dar sua moradia para a Coroa? Sim? Obrigado!”), deram títulos de nobreza pra todo mundo (que fosse rico), abriram os portos (para a aliada Inglaterra) e, em geral, adotaram nosso país como casa. A parte boa? Construíram estradas, escolas, permitiram fábricas e ainda criaram o Banco do Brasil (desde 1809 com você).

E você achava que eles, na verdade, não tinham criatividade pra escolher um nome de impacto…

Assim foi, foram passando os anos… D. Maria (Rainha de Portugal (embora nem governasse mais por causa de problemas mentais)) morreu em 1815, e D. João VI passou a governar por aqui… Até 1820, quando Napoleão já foi derrotado e os portugueses já estavam cansados de ver seu rei fugido, e estavam quase pedindo independência (hã?). Em 1821 (sim, antigamente as coisas tinham um intervalo grande), D. João VI finalmente retorna a Portugal, deixando D. Pedro (com 23 anos na época) como príncipe regente da colônia.

“Se é para o bem de todos (os nobres) e felicidade geral da nação (dos nobres), diga ao povo (os nobres) que fico!”.

Nisso, já tinha gente (fazendeiros, coronéis e afins) querendo aproveitar a chance pra se livrar do domínio de Portugal, mas queriam uma coisa limpa, sem luta armada (porque outros países latinos lutaram e sofreram muito pra serem independentes). Se D. Pedro ajudasse, poderia ser o rei do novo país (porque outros países latinos viraram repúblicas logo depois de se tornarem independentes – o iluminismo estava em alta). Dom João VI, ao saber disso (notando que não foi uma boa ideia largar o filho sozinho aqui) mandou uma carta pra Dom Pedro voltar pra Portugal. O povo daqui reclamou e, nisso, aconteceu o Dia do Fico. A coroa ainda pensou, desistiu de mandar exército pra cá (viagem de navio, na época, era horrível)…

Eu tentei achar uma interpretação mais realista da cena da independência, mas não encontrei.

Mas ficou pressionando D. Pedro que, estressado, voltando de viagem (tinha descido até Santos), em roupas comuns e sujas (nada de traje pomposo) parando às margens (ou a 1 Km delas) do rio Ipiranga com sua comitiva (pequena) andando em mulas (cavalos não aguentavam subir a serra), provavelmente depois de ter “se aliviado” (leia-se: usado o banheiro (que na época era qualquer matinho), cansou do seu pai (D. João) e falou que estava rompendo os laços com Portugal e faria o Brasil livre (depois de ler documentos que a Imperatriz Leopoldina já tinha preparado decretando oficialmente isso). Depois que veio a frase “Independência ou Morte”.

Bandeira do Brasil pós-Independência: de colônia para império, de dependente para… Único país com monarquia depois de uma independência e ainda com uma crise financeira.

E depois? Teve todo o processo legal (burocrático), onde D. Pedro I tornou-se Imperador, suprimiu umas revoltas de uns apoiadores de Portugal, fez uma dívida com a Inglaterra pra pegar um empréstimo para pagar Portugal para que eles reconhecessem nossa independência (e você pensava que dívidas do Estado eram coisas modernas, não é?)… Para os nobres e latifundiários, agora era mais fácil fazer comércio e ainda tinham a vantagem de não ter que pagar mão de obra (a escravatura foi mantida). Para o resto do povo… Nada mudou. Como sempre.

Monumento à Independência, em São Paulo (SP). Mais um monumento para celebrar um momento que não foi tão épico quanto se imagina.

E essa é a história da Independência do Brasil, para você ver que é bom saber a história para ver que nem tudo é bonito e heroico quanto se conta nos livros e na televisão, e para notarmos que, desde nosso descobrimento, o país inteiro é sempre negociado pra lá e pra cá por questões políticas e econômicas, que parecem estar sempre acima do que o povo realmente precisa. Ah, se os governantes fossem pobres…

ClaMAN

P.S.1: A próxima “aula” acontece dia 15 de novembro e narra um fato que aconteceu 67 anos depois da Independência: a Proclamação da República.

P.S.2: Meu teclado está com o Enter e o Backspace falhando. Foi complicado escrever essa postagem.

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Outro sentido de músicas folclóricas #3

Boi da cara preta, Fui no Itororó… Você já parou pra pensar direito nessas músicas?

Antes que você questione o 3 no título, essa “série” é tão velha quanto o blog. Reveja a parte 1 e a parte 2, se quiser (não recomendo).

Pronto, já falo o tema do post.

O folclore nacional compreende mitos, lendas, cantigas, brincadeiras, simpatias e qualquer coisa que o povo inventou (e continua inventando) para explicar coisas que parecem sobrenaturais que não entendem ou apenas para educar as crianças por meio de traumas.

Hoje é um dia ótimo para falar de músicas e canções folclóricas brasileiras e, além de falar, perceber que, de normais, elas não tem nada…


A primeira de hoje é mais uma clássica canção de ninar:

Legítimo boi da cara preta.

Boi, boi, boi

Boi da cara preta

Pega essa criança

Que tem medo de careta

Normalmente, canções de ninar são ouvidas quando a criança ainda não tem capacidade de discernimento. Por isso ela não percebe que isso não é uma cantiga, é uma ameaça.

Para começar, já coloca a criança em situação de inferioridade por ter medo de careta. Medos são coisas comuns e irracionais, tem gente que tem medo de palhaços, tem gente que tem medo do número 666… Se alguém tem medo de careta, quem somos nós para julgar? Em seguida, chama o tal “boi da cara preta” para pegar a criança. Será um boi mesmo? Será que ele é do mal (racismo com a cor da face do bovino)? Fica aberto para debates se não é uma gíria para alguém que pode “pegar” a criança.


A próxima é uma música que entra mais como tema infantil do que canção folclórica mesmo, mas vale:

Fonte do Itororó, em Santos – a autêntica, recuse imitações

Fui no Itororó beber água não achei
achei bela morena que no Itororó deixei

Aproveite, minha gente, que uma noite não é nada
Se não dormir agora, dormirá de madrugada

Ó dona Maria, Ó Mariazinha,
entrarás na roda e dançarás sozinha

Sozinha eu não danço nem hei de dançar
porque eu tenho o fulano para ser meu par

A primeira parte da música é uma situação que pode ser comum em alguns lugares do Brasil: falta de água. Porém, rapidamente o tema foge do fato que o eu lírico (narrador, a pessoa que foi no Itororó beber água) não achou água no Itororó mas achou uma bela morena que lá deixou.

1º Como alguém deixa uma moça numa fonte, rio ou o que quer que seja? Será relacionada à época da escravidão, e o eu lírico deixou-a presa?

2º Como uma pessoa deixada em uma fonte, rio ou o que quer que seja ficou lá até o desumano do eu lírico voltar lá? E o pior: ele nem foi para buscá-la, foi só beber água!

As primeiras 2 linhas deixam essas questões socioculturais para debatermos. As 2 seguintes parecem referência a “escapadas” noturnas.

Os últimos quatro versos, assim como outras músicas folclóricas, ensinam a crianças o que é bullying (isolam a tal Mariazinha na roda por ela não ter um par) e também incitam ao machismo (pois ela, em vez de mostrar que pode se virar sozinha, escolhe um fulano qualquer como par, ficando dependente dele para ser bem vista pela sociedade opressora).


Não é porque é folclore que é antigo: folclore é atual, está ligado a problemas recentes da sociedade. Porém, nem todas as lições do folclore são boas (machismo, egoísmo, bullying, violência a animais são alguns exemplos). Na dúvida, ensine crianças a tocarem (apenas instrumental), não a cantarem essas músicas.

ClaMAN

P.S.: Na próxima postagem da série: o controverso poeminha “Batatinha quando nasce”, a cruel cantiga “Sambalelê” e a estranha “Borboletinha lá na cozinha”. Me lembrem disso ano que vem.

P.S.2: A cada postagem dessa série, o nível de “outros sentidos” nas músicas piora.

Diário (inútil) do ClaMAN #7

Agosto, mês em que vejo um monte de aniversariantes e coisas relacionadas a aniversários.

Já passamos do meio do mês de agosto, então é o momento certo para publicar o único diário que é postado mensalmente.

Imagem ilustrativa. O ClaMAN não é a Sakurauchi Riko de Love Live, não escreve essa postagem em uma praça durante o outono e nem tem um sorriso tão brilhante. Arte por Marshall

Como já passamos do meio de agosto, muita coisa que volta em agosto (aulas, trabalhos, feriados, séries, atrasos em tradução de animes) já voltou ou está voltando aos poucos…

Exceto meu tempo livre. Esse só diminui.

Minha criatividade também não anda se manifestando tanto.

Porém, se tem uma coisa que estou vendo de monte nesse mês são aniversários (incluindo o meu)(pais, o que vocês fizeram entre novembro e dezembro?). Aniversários também são relacionados a…

Festinha de aniversário 2D. De novo, o anime é Love Live, arte por Qianqian.
  • Festas (sejam elas infantis (com montes de crianças berrando), familiares (com parentes próximos… Ou não), de jovens (e aquela infame versão do “Parabéns pra você” regada a música até tarde) ou de debutantes (nem comento). Convites não inclusos.
  • Privilégios por conta da idade (passou de 13, é adolescente… Passou de 18, já pode ser preso e dirigir… Passou de 21, já é responsável pelos próprios atos…)
  • Presentes (de lembrancinhas a coisas caras, de coisinhas inúteis (como esse blog) a coisas de qualidade e utilidade)… Dependem de quem dá.
  • Bolo.

Bolo, por sinal, normalmente é aquele bolo confeitado, recheado e delicioso, com velinhas em cima. E aqui eu fecho a postagem com essa imagem de velinhas para quem já nem conta mais a idade:

Aquelas velinhas para te lembrar que, se tem algo que aumenta com um aniversário, é a idade.

(TRADUÇÃO: “Quem está contando velinhas? Você está velho”)

ClaMAN.idade ++

P.S.: Tento animar as coisas por aqui na próxima semana. AnimeRelacionado? Talvez.

P.S.2: A idade física aumenta, mas a altura continua igual e a idade mental diminui…

P.S.3: Aceito sugestões de postagem como presente. Ou comida.