(12E) Me(us rece)ios – Capítulo 7

Me(us rece)ios

(Só para constar: o logotipo passou por uma pequena mudança)Terceira estação:
Houve chances, mas atitudes faltaram – desejos, vontades e incertezas restaram.


(Ler o capítulo anterior…)

Capítulo VII : Agosto e setembro – Revendo os meios

banned_download_proviEventos acontecem. Esses eventos podem fazer tudo parecer acabado, sem retorno e sem jeito de resolver – e grande parte dessa aparência de final é por causa do impacto de certas palavras, ou melhor, de certas atitudes. Por exemplo, em shows ou concertos, a melhor música é (quase) sempre a última. E outro exemplo notável é o fim do ano e suas festas (que apenas celebra o calendário sendo rebobinado).

E… Acabou? O fim é naquele momento, ou apenas parece ser. Por exemplo, o fim de um namoro é cruel, desampara a pessoa. No nosso caso, foram seis meses juntos (pode parecer pouco, dependendo do ponto de vista. Se eu falar que foi meio ano, parece mais, não é?). Mas não indica que não vá acontecer mais nada, afinal… Chegamos ao meio de tudo.

Quando se fala em tempo, a metade é subjetiva. Quando é que é o meio de uma discussão? Você está discutindo há vinte minutos, mas não pode saber se ela vai acabar depois de mais vinte minutos depois que grita “estou no meio de uma discussão aqui”. Não existe metade de um namoro, nem meio encontro. Você começa a namorar e termina. Não sabe do ponto central até que acabe e olhe para trás, conte os meses e lembre do que aconteceu. Se você for pensar nisso, chega no meio de uma confusão.

12e_ql_larg_reallyverysmlVamos à história. Paramos quando Alana estava no meio (eu posso falar que ela estava no meio por ser o autor, tá? Se quiser reclamar, escreva uma história primeiro, depois poderemos conversar de igual para igual) do seu “discurso” de término de namoro:

Depois da frase de impacto, ela desviou o olhar. Fernando já imaginava ouvir aquela frase (mas nem adianta, a agulhada sempre dói mais do que nós imaginamos), pensou em perguntar alguma coisa (talvez “por quê?”). Porém, simplesmente ficou quieto. Ela continuou:

— Ficamos sem vontade de nos falar, e isso simplesmente não é um bom sinal. Além do mais, eu não quero competir com ninguém.

Fernando estranhou. Era culpa dele, estava certo – quem mandou falar que já gostara de outra pessoa? (…Foi Alana que mandou.) Mas era passado.

— Mas… Não é como se você competisse com a Alice…

Não foi uma boa hora para citar esse nome. Alana apenas ignorou.

— Não negue, pois nós dois vimos a realidade. E talvez… Você tenha alguma chance…

Ela não concluiu a sentença. Não aguentaria dizer o que estava pensando, pois senão acabaria aos prantos – admitir que o próprio namorado estaria melhor com outra pessoa seria demais. Então, mudou sua fala:

— Não quero mais lidar com ela. E o que você faz ou deixa de fazer… É irrelevante agora. Então… Tem alguma coisa a comentar?

Ele não queria que acabasse ali, daquele jeito, por aqueles motivos. Contudo, não havia muito o que fazer – para alguém como Fernando, que não fizera nada até então, era questão de aceitar. Ou melhor, de não fazer nada que pudesse prejudicar o que já estava “capengando”… Ver a namorada entristecida fazia com que quisesse consolá-la, ou ouvi-la desabafando (coisas que nunca pensou em fazer). Só que isso ia contra as circunstâncias, então…

— …

Ele simplesmente ficou calado (sério, o que vocês esperavam? Que ele a abraçasse, dizendo que ela era a única pessoa que ele amava, que não queria que as coisas terminassem assim por haver muito a fazer ainda, e dizer “eu te protegerei”? Desculpem, mas o Fernando não consegue agir assim).

— Portanto… É isso. — Alana encerrou o assunto, após não ter resposta.

12e_ql_larg_reallyverysmlA partir desse ponto, você pode pensar que é o fim da história. O casal de protagonistas deixou de ser um casal e passou a ser apenas Fernando e Alana. Mesmo que a história de términos de relacionamentos românticos seja ocorrente em outra história (Anti Cupido), presenciamos uma aqui.

Para os que acham que acabou, peço que releiam o começo do capítulo. Estamos no meio de uma estação conturbada, apenas. Estamos na metade da história, e é isso que importa aqui. Os seis meses que passaram nos trouxeram até esse ponto, e agora temos mais seis meses pela frente…

12e_ql_larg_reallyverysmlComecemos (ou continuemos) com uma breve explicação.

Fernando foi percebendo aos poucos que voltara à vidinha solitária com o passar dos dias (às vezes, demora para cair a ficha depois de um final desses). Não era mais Alana que sentava ao lado dele nos ônibus, mas sim pessoas aleatórias. Conversas voltaram a ser apenas perda de tempo, pois eram assuntos que não o interessavam. O tempo livre nas tardes e nos fins de semana era gasto em casa, lendo qualquer coisa. Claro que ele sentia falta dela, mas era tão acomodado que se consolava dizendo que era uma questão de tempo até se reacostumar…

Alana já abordava isso de outro jeito. Foi uma atitude dela, então (achava que) estava preparada para a consequência. Aos que perguntassem, não importava o que acontecia ou deixava de acontecer na vida privada dela. Para os que observavam, era como se aqueles seis meses não tivessem interferido em nada.

Ah, e tem uma pessoa que só observava de longe, rindo consigo mesma e observando o desenrolar da história. Para ela, tudo estava sendo interessante de acompanhar, até mesmo divertido (essa daí é mais louca que o autor…).

12e_ql_larg_reallyverysmlE seguimos em frente. Num dia qualquer no começo de setembro, em horário de intervalo, Fernando estava quieto em sua carteira. Na sua frente, algumas garotas conversavam sobre amores e garotos, e atrás outra garota dormia profundamente (e isso nem é relevante). Aí Rafaela (uma das que conversava na frente) perguntou para Fernando:

— Falando nisso, e a sua namorada? Nunca mais a vi…

— Então… Nós não estamos mais namorando.

— MAS COMO ASSIM!? Nós shipávamos (professores de português e de inglês, me perdoem) (shippar = desejar que um namoro dê certo entre duas pessoas que parecem se dar bem) tanto vocês dois! — A outra garota que, para fins de informação, se chama Anabele (nome genérico que só vai aparecer agora)16, exclamou furiosa.

— Digamos que… Coisas aconteceram.

— Bem, é a vida… Mas não se preocupe, as coisas vão melhorar. Eu também fiquei meio pra baixo quando terminei, mas agora estou em outros rumos. (foi quando ela conheceu Leonardo) — Rafaela, mais maternal, foi consolar o garoto.

12e_ql_larg_reallyverysmlDepois das conversas e das aulas, Fernando foi mais uma vez surpreendido pelas costas ao sair da sala.

— Já passou-se um mês, não é, Fer?

Alice, ao agarrar os ombros dele por trás, fez com que o garoto solteiro (outra característica irrelevante) desse um pulo com o susto.

— O que foi dessa vez? — e ele não ficou tão animado ao vê-la.

— Não acha que está muito sozinho nessas últimas semanas? — Ela já partiu para o assunto, estreitando os olhos e sorrindo travessamente.

— Bem, talvez… Mas não é nada de mais.

— E então, Fer, por que terminou o relacionamento com aquela garota?

Pensamento do menino: “Parem de me lembrar disso, por favor!”.

— Foi ela que terminou…

— Tem certeza? Eu disse a você que, para não mudar seu mundo, era preciso agir.

— Mas o que eu poderia fazer?

Como ainda estavam diante da porta, ela, segurando os braços dele, empurrou-o para dentro da sala, num gesto forte e ágil. E continuou a falar, encarando-o:

— Você tinha o mundo em suas mãos e sob seus pés, bastava alguns passos. Vendo assim, parece que não gostava dela.

— Mas eu gostava…

— E, como quem não se importa com nada que passou, agora já está abraçado com outra garota em uma sala vazia, Fer?

— Mas foi você quem me empurrou!

— Eu sei disso. Você também. Estamos no meio desse evento, sabemos o que está acontecendo. Porém, e para aqueles que observam de fora? Não sabem o que aconteceu de verdade.

O garoto se soltou das mãos da garota.

— E o que isso significa?

— Significa que os fatos não foram compreendidos, Fer.

— Hã?

Alice é a personagem que as pessoas menos entendem. E ela sabe disso.

— Você não agiu do jeito certo. Disse alguma coisa que não deveria ter dito, e que foi mal compreendida.

— Pode ser verdade… — Até agora ele ficava pensando se agiu certo ao revelar o que sentira há tempos por uma amiga para a namorada.

— E você sente que realmente conheceu a sua ex-namorada, Fer?

— Sim… Eu acho…

A hesitação era o sinal que Alice esperava.

— Então deve saber que ela praticamente te usou, não é?

— Como assim?

O sorriso da garota se abriu um pouco mais, enquanto ela fechava a porta.

12e_ql_larg_reallyverysmlVamos cortar a conversa na metade. Esse é o problema do fim de uma relação: dividiu-se o casal ao meio, cada um para um lado, e agora preciso dar atenção a cada um separadamente. Então…

Vamos para o terminal, onde Alana esperava o ônibus sozinha até que uma presença realmente irritante se aproximou:

— Laninha (não é só a Alana que acha esse apelido irritante), pelo visto está sozinha hoje…

Ela ignorou na maior frieza possível o tal de Marcos. Não adiantou – o sujeito chegou mais perto.

— Seu namorado não anda mais com você?

Ela mantinha-se calada e tentava manter o controle. Não queria fazer um escândalo num lugar cheio de gente como aquele, então a melhor maneira de evitar as investidas era ignorando-as.

— Fale comigo, Laninha… Se for algum problema, sabe que eu posso ajudar.

— Se eu precisasse da sua ajuda, eu te procuraria.

Manteve a frieza na voz e não fez contato visual. Era a maneira de se proteger sem precisar da companhia que antes tinha — com a qual, infelizmente, se apegara até demais.

Só que o garoto pegou essa resposta (nem tão fria como as anteriores) como uma chance para chegar mais perto (ou seja, achou que a garota estava dando liberdade – e isso é o que torna pessoas como ele meio perigosas).

— Então… Posso te fazer companhia… Não dá certo andar sozinha por aí.

Alana estava perdendo a paciência.

— Recuso sua gentileza.

— Você sabe, Laninha… Não vai poder recusar pra sempre.

No fundo, ele achava que ela precisava dele por gostar dela. Com o tempo, ela entenderia isso, segundo a mente dele.

E, meio que instintivamente, ele foi passar a mão no cabelo dela.

— E você já sabe o que penso de você.

Como quem afasta do corpo um inseto nojento, Alana fez ele parar.

— Não encoste em mim.

Por sorte, Alana logo embarcou no ônibus e se livrou daquele assédio. Mas, se ele descobrisse que ela não estava mais em um relacionamento, aumentaria as investidas. Esse era o maior receio dela…

“Por quê preciso passar por isso? Eu queria apenas ter uma vida tranquila.”

12e_ql_larg_reallyverysmlEsses são eventos que marcam começos. São novas experiências ou novos problemas, simplesmente por causa de mudanças que aconteceram recentemente. É como a inauguração de um condomínio, que não prevê as futuras brigas entre vizinhos. O que importa é que isso é o meio de tudo, afinal não podemos parar a história só porque um casal terminou o namoro, não é verdade?

(Continua…)


by ClaMAN

P.S.1: Esse foi um capítulo bem simples para compensar o anterior.

P.S.2: Agenda das publicações previstas (pode sofrer mudanças):

  • 27/12: Me(us rece)ios, capítulo 7
  • 07/01: Anti cupido, capítulo 7
  • 17/01: Como começar uma conversa sobre amor, capítulo 8
  • 27/01: Me(us rece)ios, capítulo 8
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Autor: ClaMAN

Animes? Assisto, mas a maioria ou é de romance ou é de fantasia ou é de vida cotidiana. Jogos? Jogo, mas meu jogo preferido é um simulador de ônibus, e os outros não são populares. Livros? Li alguns e escrevo histórias (que parecem fanfics) de vez em quando. No resto do tempo, sou um estudante "normal" de Análise e Desenvolvimento de Sistemas (vulgo "Programação"). Prazer.

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